Escolas que combaterem o Aedes receberão selo

Escolas da rede municipal de Fortaleza que desenvolverem medidas de combate ao
mosquito Aedes aegypti receberão, a partir deste ano, o "Selo Escolas Amigas da Saúde", lançado ontem pela Secretaria Municipal de Educação (SME). A estratégia faz parte de um conjunto de ações da Prefeitura de Fortaleza para o controle das arboviroses na Capital. Na área da Educação, além da entrega do certificado, serão formadas brigadas contra o vetor nas instituições de ensino e a inclusão da temática nos processos de capacitação de professores e gestores.

Segundo o último boletim da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), datado de 20 de abril, a Capital já registrou, neste ano, 2.856 casos de dengue, 3.690 de chikungunya e 60 casos suspeitos de zika.

Segundo Lucidalva Bacelar, coordenadora da área de Gestão Escolar da SME, o selo foi criado para incentivar a mobilização dentro dos colégios e fomentar a participação não só dos alunos, mas também dos pais, educadores, gestores e da comunidade. Cada unidade deverá elaborar um plano com ações que serão executadas ao longo do ano dentro e no entorno da escola. Casas, comércios, igrejas e outros estabelecimentos da região também devem ser alvo do trabalho.

Impacto

"Para que a escola receba o selo, ela precisa atender a indicadores de impacto, que serão verificados através das informações oficiais da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) sobre a situação epidemiológica de cada local", explica Lucidalva Bacelar.

"Vamos ver como era antes do processo e ao fim dele. As escolas devem trabalhar no entorno da instituição, ou pelo menos na quadra onde está, fazendo visitas às casas, entregando panfletos, promovendo rodas de conversa", acrescenta. Conforme Lucidalva, haverá, ainda, uma avaliação estratégica das ações com base em portfólios que as unidades deverão entregar.

A coordenadora afirma que o selo será um credenciamento concedido pelo poder público às escolas que cumprirem seu papel social junto às comunidades. "É um certificado daquela escola ressaltando sua responsabilidade social. E este selo deve ser entregue de forma que fique afixado na escola e possa ser usado em seu portfólio", diz.

As escolas que quiserem participar do processo devem se inscrever até o dia 5 de maio. A expectativa é que os selos sejam entregues às instituições selecionadas em setembro.

Capacitação

Outra estratégia articulada pela SME para o combate do Aedes aegypti será a continuidade das brigadas contra o mosquito nas escolas e nos prédios do órgão. Criada no ano passado, a ação deve ser fortalecida nos próximos meses, com a formação de uma brigada em cada colégio do Município e nas demais instituições da rede. Ao mesmo tempo, professores e educadores das unidades passarão a receber, em suas capacitações, informações sobre arboviroses. "Também vamos incluir essa temática na jornada escolar, através do novo Mais Educação. Nas duas horas semanais no contra-turno, uma vai ser usada para trabalhar com arboviroses", destaca Lucidalva.

Fique por dentro

Governo Federal lança programa em Brasília

Tendo como um dos focos o combate ao Aedes aegypti, também foi lançado ontem (25), desta vez em Brasília, o novo edital do Programa

Saúde na Escola, do Governo Federal. A iniciativa visa ao repasse de recursos para a realização, nas escolas de todo o País, de ações dedicadas à melhoria da saúde dos estudantes. As medidas incluem, além da prevenção contra as doenças causadas pelo vetor, atualização do calendário vacinal dos alunos, incentivo à alimentação saudável e à prática de exercícios, cuidados com a saúde bucal, dentre outros.

No Ceará, todos os 184 municípios estão cadastrados na fase atual do programa. A nova adesão deverá ser feita a partir do dia 2 de maio até 14 de junho.


Fonte: Diário do Nordeste - Cidade

26 de Abril de 2017, 15:14

Pesquisas sobre sorotipos de dengue têm resultados falhos

As pesquisas laboratoriais em relação às manifestações da dengue no Ceará ainda apresentam resultados insuficientes em relação aos sorotipos virais responsáveis pelo desencadeamento da doença. Segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), no último dia 20 de abril, até então, das 251 amostras coletadas para a análise viral, foi isolado somente o sorotipo DENV-1, em 8 das amostras, mostrando que o vírus especificado circula nos municípios de Alto Santo, Aquiraz, Fortaleza, Iracema e Maranguape.

A dengue pode ser desencadeada por quatro sorotipos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Clinicamente falando, todos são capazes de gerar os mesmos quadros, desde as formas mais brandas da doença, até as mais severas. Contudo, o próprio boletim do órgão estadual ressalta que a baixa tipificação viral observada nas pesquisas implementadas durante este ano comprovam a necessidade de melhorias da informação sobre a distribuição do sorotipo predominante.

De acordo com o documento, é de vital importância o monitoramento da circulação viral, cujo objetivo de identificar de forma permanente os sorotipos que circulam no Ceará.

Avanço

Questionada sobre o fato de não termos ainda resultados mais relevantes sobre os tipos de vírus da dengue que circulam no Ceará, a Sesa, através da assessoria de imprensa, esclareceu que "a vigilância virológica, realizada pelo Laboratório Central (Lacen), da rede estadual, foi implantada no Ceará em 1998, representando um grande avanço para a vigilância de dengue em nosso Estado. No período de 2001 a 2017 foram isolados os quatro sorotipos".

Segundo ainda a assessoria, "observa-se uma circulação importante do sorotipo DENV-3 nos anos de 2003 a 2007. Nos anos de 2008 e 2009, o DENV-2 circulou de forma predominante. Em 2010 e 2011, o sorotipo DENV-1 voltou a circular de forma importante.

Em 2011, o sorotipo DENV-4 foi introduzido e isolado em apenas 0,9% das amostras. Em 2013, o sorotipo DENV-4 predominou com mais de 96,7% dos isolamentos. Em 2014, foram isolados o DENV1 em 54,2%, DENV4 em 43,2% e o DENV3 em 2,6 %. Nos anos seguinte temos predominância da circulação do DENV1 no Estado".

Em relação ao que falta para o avanço das pesquisas, a Sesa diz que "a pesquisa para
detecção dos sorotipos circulantes da dengue acontece desde 1998". Explica que, "no que se refere ao tratamento, os resultados de exames específicos para diagnóstico das Arboviroses (Dengue, Chikungunya e Zika) não deverão estar atrelados ao manejo clínico dos casos suspeitos".

Conhecer as tipologias dos vírus circulantes na região é importante para se ter um quadro exato sobre a situação enfrentada em relação à doença, conforme explica o médico infectologista Anastácio Queiroz. "Primeiro temos que saber se está circulando a dengue. Daí, a identificação é para que você saiba o que está acontecendo", afirma.

Tempo

Segundo ele, os motivos pelos quais poucas amostras podem ter manifestado a carga viral da dengue é o tempo em que foram coletadas, podendo ter sido já depois do período de circulação do vírus no organismo da pessoa analisada. "Na realidade, é possível que aquele paciente não estivesse mais em período de viremia, ou não era dengue", coloca.

Os quatro sorotipos de vírus da dengue já circularam no Ceará, contudo, os ciclos de aparecimento são diferentes. "Sempre um dos sorotipos circula com maior intensidade e poucas vezes há mais de um ao mesmo tempo. Nós os consideramos todos como iguais no sentido da manifestação da doença. Às vezes se tem manifestações um pouco diferentes, mas depende também da pessoa infectada. Como no Ceará temos um percentual muito alto da população que já teve dengue e, se for contaminada por um outro sorotipo, as chances de se ter uma doença mais severa são maiores", esclarece Anastácio Queiroz.

Plano

Ainda ontem, a Sesa tornou público o Plano Estadual de Vigilância e Controle das Arboviroses, que abrange as infecções por dengue, zika e chikungunya. O documento foi lançado em novembro de 2016, delegando as responsabilidades estaduais, regionais e municipais no que diz respeito às ações de vigilância epidemiológica, vigilância laboratorial e controle vetorial das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

Além disso, a Sesa publicou ainda nova nota técnica para o manejo dos casos suspeitos das arboviroses, chamando atenção para que os médicos e profissionais de saúde a não prescreverem corticoide, anti-inflamatórios não esteroides ou aspirina no caso de suspeita de alguma das doenças na fase aguda.

Neste ano, já foram confirmados até o presente momento 4.052 casos de dengue no Ceará, além de dois óbitos. Em relação às outras arboviroses, já são 6.217 pacientes confirmados com a febre chikungunya, com uma morte registrada em Fortaleza. Já a zika infectou 54 pessoas em quatro municípios cearenses, Caucaia, Independência, Fortaleza e Brejo Santo.

Fonte: Diário do Nordeste

25 de Abril de 2017, 17:48

Dengue, chikungunya e zika: casos aumentam 21% em uma semana no Ceará

Os casos confirmados de dengue, chikungunya e zika chegam a 10.323 até o momento em 2017, no Ceará, conforme a semana epidemiológica (SE) 16. Os números divulgados pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) tiveram um aumento de 21% em uma semana. No boletim passado (SE 15), os casos confirmados foram de 8.505.

Das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, a febre de chikungunya registrou o maior número de casos confirmados, com 6.217. Os municípios com as maiores taxas de incidência dos casos confirmados (acima de 300 por 100 mil habitantes) são Baturité, Catarina, Tejuçuoca, Aracoiaba, Ocara e Pentecoste. Fortaleza confirmou, até o momento, 3.690 casos e um óbito por causa da doença, o único do Estado.

As confirmações de dengue no Ceará chegam a 4.052, segundo o boletim da Sesa. os municípios de Alto Santo, Farias Brito, Iracema e Tabuleiro do Norte apresentam alta incidência dos casos confirmados. Até o momento em 2017, a doença matou duas pessoas nos municípios de Fortaleza e Maracanaú.

De acordo com o boletim, foram confirmados 54 casos de zika no Ceará. Destacam-se os municípios de Caucaia, Independência, Fortaleza e Brejo Santo com 181, 88, 69 e 22 casos notificados, respectivamente, o que resulta em 68,2% (382/560) das notificações do Estado.

Fonte: O Povo

24 de Abril de 2017, 19:56

Pesquisadora estuda dores crônicas após chikungunya

Pesquisadora cearense estuda as dores causadas pela febre chikungunya semanas após a picada do mosquito. A tese analisada pela acupunturista e anestesiologista Fabiana Freire é de que o vírus afeta o sistema neurológico e, por isso, os sintomas se tornam crônicos. Se ela estiver correta, o tratamento aplicado atualmente está incompleto, já que analgésicos e anti-inflamatórios são ineficazes nesse tipo de dano.

A médica está acompanhando a evolução da doença em cem pessoas. “O enfoque é ver o que está causando a dor crônica. Entre os pacientes de chikungunya, 50% estão tendo cronificação. É um índice muito alto”, comentou. Ontem, pacientes foram trazidos de Independência, a 309 km de Fortaleza, para serem submetidos a exames por Fabiana. A Cidade é uma das que têm maior manifestação da febre no Ceará. A análise inclui pessoas com dor aguda, nos 14 primeiros dias da doença, e crônica, aquela que permanece após três meses.

A contadora Maria José Ferreira, 57, foi submetida à análise da pesquisadora. “Já tem quatro meses que sinto dor e inchaço por causa da chikungunya. Já me passaram corticoide, analgésico e anti-inflamatório, que diminuíram o incômodo, mas ainda dói”, relatou.

Além de responder questionário sobre o estágio atual das dores, a contadora passou por termografia, procedimento que mede a perda de calor do corpo e identifica as zonas de maior incidência dos incômodos. A câmera infravermelha destaca áreas mais aquecidas e mais frias. “O que vejo são as assimetrias”, explicou a anestesiologista.

Tratamento

Segundo a pesquisadora, a dor causada pela chikungunya está sendo tratada como inflamação articular, enquanto os pacientes relatam dores meses após o contágio. “A dor pode virar crônica por ter esse componente neuropático que não está sendo tratado adequadamente”, disse.

Segundo ela, o tratamento ideal deveria ser complementado com moduladores de dor, com antidepressivos e anticonvulsivantes. A terapia inclui ainda técnicas de acupuntura, explicou a médica. “A dor cronifica se não for tratada adequadamente. Quanto antes a identificarmos, mais reversível será o quadro”, explicou.

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Saiba mais

Conforme O POVO publicou no dia 11, de janeiro a março do ano passado, a chikungunya teve 549 confirmações em Fortaleza. No primeiro trimestre deste ano, a Capital já teve 1.783 casos, ou seja, o número mais que triplicou (224%).

O quadro clínico da chikungunya é caracterizado por dor intensa nas articulações, principalmente, pés e mãos, incluindo dedos, punhos e tornozelos, e febre acima de 38,5°C na fase aguda.

O POVO online

Saiba detalhes sobre a 

chikungunya 

bit.ly/chikungunyaopovo



Fonte: O Povo
20 de Abril de 2017, 15:39

UFC lidera esforços para criação de rede estadual de combate ao Aedes aegypti

A Universidade Federal do Ceará está liderando esforços para a criação de uma rede estadual de combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. Na manhã de segunda-feira (17), foi realizada uma reunião com  secretarias e órgãos estaduais e municipais para apresentar o programa Aedes em Foco, encampado pela UFC.

A expectativa é que o Governo do Estado analise a viabilidade de apoiar o programa, com aplicação em todos os municípios, especialmente através de escolas públicas.

O Aedes em Foco é coordenado pela Pró-Reitora de Extensão, Profª Márcia Machado. O programa foi apresentado pelos professores Henrique Pequeno, do Instituto UFC Virtual, e Chico Neto, coordenador-adjunto de Comunicação Social e Marketing Institucional da Universidade. Os professores Ivo Castelo Branco, coordenador do Núcleo de Medicina Tropical da UFC, e Luciano Pamplona, vice-coordenador do Mestrado em Saúde Pública, também compareceram à reunião.

Membros do Comitê Gestor Estadual de Políticas de Enfrentamento a Dengue, Zika e Chikungunya, da Secretaria das Cidades, da Secretaria de Planejamento (Seplag), da Secretaria Estadual da Educação (Seduc) e da Célula de Vigilância Ambiental e Riscos Biológicos da Prefeitura de Fortaleza estiveram no encontro.

O escritório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em Fortaleza, a Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece), a Associação Cearense de Emissoras de Rádio e Televisão (ACERT) também enviaram representantes.

"Estamos tentando integrar o Poder Público, através das secretarias de Saúde, da Educação e das Cidades, ao projeto para atuar de forma imediata e a longo prazo no combate ao mosquito", salienta Márcia Machado. Segundo ela, o projeto foi levado ao Governador do Estado, Camilo Santana, que está considerando a viabilidade de apoiá-lo. "A ideia é criar uma brigada, uma rede. O programa reforça essa relação entre a Universidade e a gestão pública, integrando também a comunidade nesse combate", afirma.

O Aedes em Foco reúne um aplicativo, que permite ampliar, por meio da participação da população, os dados de georreferenciamento sobre os focos do mosquito, uma revistinha educativa, um jogo eletrônico e um curso de formação em ensino a distância. Caberá à UFC também analisar os dados que serão gerados pelo aplicativo. Para isso, a ideia é que seja criado um comitê de análise desse banco de dados, envolvendo epidemiologistas, estatísticos e alunos de mestrado e doutorado.

OUTROS ENCONTROS − No próximo dia 24, haverá outra reunião, desta vez com prefeitos e secretários da Saúde do Estado, na sede da Aprece, às 8h30min. "Será, neste momento, lançada a proposta. Veremos com eles quais municípios querem participar do programa", informa a Profª Márcia Machado.

Já na próxima quarta-feira (19), será feito um encontro com radialistas de todo o Estado na sede da ACERT, no qual o programa será apresentado aos comunicadores.

Márcia Machado acrescenta que também será buscada a parceria com a iniciativa privada. Uma reunião com empresários será agendada, trazendo representantes da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio), da Câmara de Dirigentes Lojistas de Fortaleza (CDL) e da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC).

"Empresários relatam os problemas que as doenças causadas pelo mosquito têm trazido, porque muitos trabalhadores têm se ausentado do trabalho por terem contraído uma dessas doenças. É uma situação agravante, portanto, para a economia do Estado. Por essa razão, é preciso uma parceria bastante abrangente para que as pessoas se sensibilizem. E, para isso, é necessário ter recursos financeiros", complementa.

O aplicativo Aedes em Foco já foi lançado e se encontra disponível em www.aedes.ufc.br. Gratuito, o download pode ser feito para os sistemas Android e iOS.



Fonte: Portal UFC 

18 de Abril de 2017, 18:18

Zika pode ser transmitida por mosquito “primo” do Aedes aegypti

São Paulo – O Aedes aegypti pode não ser mais o único mosquito a transmitir a zika. Um grupo de cientistas encontraram fragmentos de RNA do vírus em amostras de mosquitos Aedes albopictus, conhecidos popularmente como mosquito tigre asiático, coletadas na cidade de Camaçari, na Bahia.

Em maio de 2015, a Organização de Saúde Panamericana divulgou um alerta sobre os primeiros casos de transmissão da zika no Brasil. Um dos estados mais afetados pelo surto foi a Bahia. Em Camaçari, 7.391 casos suspeitos de doença infecciosa como a zika foram relatados, segundo dados de 2016 da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia.

Devido a esses números alarmantes, os especialistas suspeitaram que outras espécies de mosquito poderiam estar envolvidas na transmissão. Até então, o Aedes aegypti era a única espécie conhecida como vetor da zika para seres humanos.

Por isso, no mesmo ano, os pesquisadores coletaram ovos de mosquito encontrados em diversos bairros de Camaçari para estabelecer uma colônia de laboratório. De acordo com o estudo, os ovos coletados forneceram 20 fêmeas e 19 machos adultos de Aedes albopictus. Todos passaram por exames de análise de RNA.

Após repetir os testes quatro vezes em cada amostra, os cientistas encontraram três fêmeas e dois machos do mosquito com indícios do zika. Segundo o estudo, isso significa que as fêmeas coletadas na cidade baiana foram infectadas pela zika e transmitiram fragmentos do vírus para seus descendentes.

Contudo, os pesquisadores são cautelosos e ainda não afirmam que o Aedesalbopictus pode transmitir o vírus da zika verticalmente – quando uma infecção é passada do mosquito mãe para sua prole. “Detectar fragmentos de RNA sem encontrar o vírus zika vivo sugere que, ou a mãe não estava infectada com o vírus zika vivo ou que não foi capaz de transferir o vírus vivo da zika para seus ovos”, disse Chelsea Smartt, autora principal do estudo, em comunicado.

Para comprovar que o mosquito é capaz de transmitir a doença, os cientistas precisam responder duas perguntas, de acordo com o estudo. A primeira é entender se o RNA da zika encontrado foi devido à contaminação durante o processamento dos mosquitos. A segunda é se esse RNA é infeccioso.

“Trabalhos futuros são necessários para caracterizar o mecanismo responsável pela transferência de RNA para os ovos de Aedes albopictus e se o vírus vivo pode acompanhar isso em várias condições ainda desconhecidas”, aponta a pesquisa.

Apesar de o estudo ainda ser inicial, Smartt explica que os resultados significam que o Aedes albopictus pode estar relacionado à transferência do vírus zika e deve ser motivo de preocupação para a saúde pública.

“Este mosquito é encontrado em todo o mundo, tem uma grande variedade de hospedeiros e adaptou-se a climas mais frios”, disse a cientista. “O papel deste mosquito na transmissão do vírus precisa ser avaliado.”

AEDES ALBOPICTUS X AEDES AEGYPTI

Pela foto que ilustra esta matéria, dá para ver que o Aedes albopictus tem uma aparência bem similar ao do Aedes aegypti. Ambos têm coloração preta com pequenas manchas brancas no corpo e listras brancas nas patas. Os dois são da mesma família (Aedes) e do mesmo gênero (Culicidae).

As similaridades não param por aí. Como o aegypti, o albopictus tem uma relação bem próxima com os seres humanos. Nós somos fonte de alimento para essa espécie e também criamos locais de reprodução convenientes. O albopictus prefere habitar áreas urbanas, onde pode colocar seus ovos em pequenas bolsas de água.

Devido a esse contato com os humanos, muitos pesquisadores já questionaram se a espécie tem a capacidade de atuar como vetor da febre amarela e da dengue. Um estudo, publicado em 1990, demonstrou em laboratório que populações do Aedes albopictus no Brasil podem transmitir a dengue.

Outra pesquisa de 1993, realizada por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz, observou na natureza que essa espécie de mosquito é capaz de transmitir o vírus da dengue verticalmente. As amostras de larvas usadas na análise foram coletadas no estado de Minas Gerais.

CONTROLE DA POPULAÇÃO

Com tantas características parecidas, o albopictus e o aegypti podem ser evitados usando as mesmas técnicas de controle de população. Uma pesquisa publicada no periódico Journal of Medical Entomology explica que as instituições públicas de saúde precisam ir além das técnicas de controle, como alertar a população sobre o cuidado com recipientes cheios de água e o uso de inseticidas, para vencer o mosquito.

Segundo o estudo, o uso da genética pode ajudar na empreitada. Uma das técnicas apontadas é a da liberação de insetos com letalidade dominante. Nesse tipo de estratégia, os mosquitos masculinos são geneticamente modificados para que sua prole feminina não sobreviva. Vale notar que apenas os mosquitos fêmeas são vetores de vírus.

Essa técnica já é usada no Brasil com sucesso no combate à dengue. A Biofábrica Moscamed, uma empresa que “produz” os mosquitos geneticamente modificados, revelou em 2015 que uma leva desses insetos solta em Piracicaba, no interior de São Paulo, conseguiu neutralizar 70% dos ovos do mosquito na cidade.

Além disso, recentemente, a empresa Oxitec conseguiu reduzir a quantidade de mosquitos em uma área de Piracicaba com os insetos transgênicos. Em entrevista a EXAME.com em março de 2016, a companhia afirmou que a população de mosquitos em uma área tratada foi 82% menor quando comparada com um local que teve o mesmo tratamento. A Oxitec espera aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para comercializar o mosquito transgênico.

Por Marina Demartini


Fonte: Exame

17 de Abril de 2017, 19:49

Veja quais remédios não devem ser usados em casos de suspeita de dengue

Não à toa, alguns comerciais de remédios são acompanhados por um alerta: 'este medicamento é contra-indicado em casos de suspeita de dengue'. Isso porque, mesmo sabendo que a automedicação é um dos fatores que podem agravar as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, muitas pessoas ainda resistem a procurar um médico ao sinal dos primeiros sintomas.

Os remédios que contêm dipirona, por exemplo, só devem ser utilizados após prescrição médica, pois podem diminuir a pressão ou causar manchas de pele. Segundo o médico e comentarista de saúde Luis Fernando Correia, determinadas substâncias podem ter o efeito contrário do esperado:

- Remédios como alguns anti-gripais e a conhecida aspirina podem afetar a coagulação e aumentar o risco de sangramento em casos com desdobramento hemorrágico. Os anti-inflamatórios também não devem ser utilizados pelo risco de efeitos colaterais, como hemorragia digestiva e reações alérgicas.

Até mesmo medicamentos à base de paracetamol, os mais usados para tratar a dor e a febre em casos de dengue, devem ser tomados rigorosamente nas doses e intervalos prescritos pelo médico. Caso seja ingerida uma dose muito alta, o paciente corre o risco de contrair uma lesão hepática.

- Todas as doenças transmitidas pelo Aedes têm grau de periculosidade elevado. É importante que se procure imediatamente um atendimento especializado para acabar com qualquer dúvida em relação aos medicamentos que devem ser tomados - explica o médico, referindo-se à dengue, zika, chickungunya e febre amarela.

Por: Fábio Perrota Jr.


Fonte: Extra 

17 de Abril de 2017, 19:40

Regionais II e VI devem ter aumento de casos de chikungunya

Os moradores distribuídos pela porção leste de Fortaleza, nas regionais II e VI, devem redobrar os cuidados para se proteger da febre chikungunya. Enquanto a doença teve maior incidência até agora nos bairros a oeste da Capital, dados para o mês de abril já apontam a tendência de novos casos nestas regionais ao leste, onde a população se mostra vulnerável ao vírus, que tem se apresentado principalmente na forma de febre alta e dores nas articulações. De 141 notificações registradas nos primeiros sete dias do mês, 104 estiveram nas regionais II e VI, que abrangem bairros como Aldeota, Joaquim Távora, Cidade 2000, Cidade dos Funcionários, Jangurussu e Messejana.

Em 2017, as regiões com maior incidência da chikungunya são encabeçadas pelos bairros Álvaro Weyne, Quintino Cunha, Joaquim Távora, Demócrito Rocha, Bonsucesso e Itaperi. É o que aponta o boletim mais atual da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), incluindo dados até o dia 7. Tanto em casos notificados como confirmados, a mancha que representa a infecção do vírus coincide com a porção oeste de Fortaleza. Fora da mancha, há ainda muita gente exposta ao primeiro contato com o vírus.

Sem a primeira infecção, o corpo não adquire imunidade ao vírus. Por isso, é na região descoberta do mapa que o número de casos tende a aumentar, explica Antônio Lima, gerente da Célula de Vigilância Epidemiológica da SMS. No ano passado, de janeiro a março, a doença teve 549 confirmações. No primeiro trimestre deste ano, a Capital já teve 1.783 casos confirmados da doença, ou seja, o número mais que triplicou (224%) em relação ao mesmo período de 2016. Contando os sete primeiros dias de abril, o número chegou a 1.800.

Atendimento

Os dados refletem no atendimento da saúde. Enquanto a dengue apresenta sintomas em aproximadamente 25% dos infectados, a chikungunya se manifesta em cerca de 70% a 80% dos infectados, estima Antônio Lima. Mas ele aponta que há subnotificação na Capital, principalmente na rede privada. “Os casos precisam ser obrigatoriamente confirmados. Mas você vê a Cidade toda em atendimento, não é possível o hospital dizer que não teve nenhum caso. Alguma coisa está deixando de ser informada”, observa o gerente da célula.


Na rede pública, as unidades mais adequadas para o atendimento da população com sintomas são os postos de saúde. Como os sintomas podem persistir por meses, o cenário ideal é o acompanhamento em Saúde da Família, aponta Lima. Conforme o boletim da SMS, mais da metade das notificações de casos veio dos postos de saúde, totalizando uma média de 26 registros por dia em 2017. Em segundo lugar aparecem as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), com média de 11 notificações por dia. Em último vêm os hospitais municipais e estaduais, com média de sete e duas notificações por dia, respectivamente.

Cidades com alta infestação

Altaneira

Alto Santo
Apuiarés

Aracoiaba
Ararendá

Araripe
Barbalha

Baturité
Boa Viagem

CanindéCapistrano
Caridade

Farias Brito
Forquilha

Hidrolândia
Horizonte

Independência
Iracema

Itapagé
Itapiúna

Jijoca de Jericoacoara
Marco

Massapê
Milagres

Mucambo
Nova Olinda

Pacajus
Parambu

Pedra Branca
Penaforte

Pereiro
Piquet Carneiro

Quixadá
Quixeramobim

Reriutaba
São Luís do Curu

Senador Sá
Tamboril

Tejuçuoca
Varjota

Viçosa do Ceará

por: THAÍS BRITO

Fonte: O Povo

11 de Abril de 2017, 15:01

Mãe do Lailtinho Brega morre no Ceará e humorista alerta para doença: 'Dengue mata'

Morreu na madrugada desta segunda-feira (10) a educadora Terezinha de Jesus Rocha Melo, mãe do humorista cearense Lailtinho Braga. Dona Terezinha morreu de dengue às 3h desta manhã, em casa no Bairro Bairro Henrique Jorge, em Fortaleza.

Em post publicado em uma rede social, o humorista alerta para a gravidade dos casos que levam à morte. “Uma mulher, negra, forte, mãe, briguenta, educadora, religiosa e feliz, não aguentou as dores dessa doença. Nos deixou agora às 3h. Como? Dengue. Gente, dengue mata. Sério, mata.”

De acordo com a atualização semanal das doenças de notificação compulsória, o Ceará registrou este ano 2.926 casos de dengue, 29 de zika e 2.677 de chikungunya, com um óbito. De acordo com a Sesa, o Estado tem 41 municípios com alta infestação (acima de 3,9%), 33 com média infestação (entre 1% e 3,9%) e 23 com índice satisfatório (menor que 1%).

Cuidados dentro de casa

O mosquito deposita os ovos em criadouros com água limpa e parada. Para impedir a desova, é fundamental eliminar todos os potenciais focos do mosquito transmissor. Se isso não for possível, é necessário que todos os locais de armazenamento de água sejam mantidos bem fechados e protegidos com telas e tampas adequadas. É importante ressaltar que o tratamento da água não substitui a necessidade de remoção e proteção dos potenciais criadouros do Aeds aegypti.

Além desses cuidados, é preciso evitar que água de chuva se acumule sobre a laje e calhas, guardar garrafas sempre de cabeça para baixo, encher até a borda os pratinhos dos vasos de planta e eliminar adequadamente o lixo que possa acumular água, como pneus velhos, latas, recipientes plásticos, tampas de garrafas e copos descartáveis.

Fonte: G1 - Ceará

11 de Abril de 2017, 14:39

Impacto da zika na América Latina pode chegar a US$ 18 bilhões, diz ONU

Relatório da ONU lançado nesta quinta-feira (6) afirma que os custos socioeconômicos para combater a epidemia da zika na América Latina e no Caribe entre 2015 e 2017 pode chegar a US$ 18 bilhões (cerca de R$ 22 bilhões a R$ 56 bilhões).

O documento, preparado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e pela Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, tem como foco o Brasil, a Colômbia e o Suriname. As informações são da ONU News.

A coordenadora de comunicação do Pnud em Nova York, Carolina Azevedo, falou que o relatório “concluiu que a epidemia de zika terá um impacto significativo a curto prazo, que é o que a gente está vendo agora, e também a longo prazo, tanto nas esferas econômica como social em toda a região”. 

“Além das perdas tangíveis para o Produto Interno Bruto (PIB) e para as economias, principalmente das que dependem muito do turismo, como é o caso do Caribe, há uma pressão muito grande sobre os sistemas de saúde e isso gera consequências a longo prazo. Isso também pode impactar todos os ganhos em desenvolvimento social e em conquistas no campo da saúde que a região tem visto ao longo das últimas décadas", explicou Carolina.

Brasil terá maior gasto

De acordo com o relatório “Uma avaliação do impacto socioeconômica do vírus Zika na América Latina e no Caribe: Brasil, Colômbia e Suriname como estudos de caso”, o Brasil e as economias maiores da região devem ter a maior parcela do custo absoluto das perdas.

O documento diz que, apesar do Brasil ser o país com maior gasto, os impactos mais severos serão sentidos pelas comunidades mais pobres e vulneráveis, como Haiti e Belize, que podem perder mais de 1% do PIB anual no caso de um alto nível de infecção. A região do Caribe sofrerá um impacto cinco vezes maior do que a América do Sul, por conta da perda de renda com o turismo internacional, que pode alcançar US$ 9 bilhões.

“Os custos do Brasil seriam de cerca de 14% dos custos totais da região no cenário de taxa de transmissão de linha de base do Zika, 19% no cenário de taxa de transmissão média do Zika e 26% no cenário de taxa de transmissão elevada do Zika”, afirma o relatório.

O relatório da ONU afirma que os sistemas de resposta ao vírus enfrentam vários desafios, como uma modesta capacidade de vigilância, sistemas de prevenção e de diagnóstico. Além disso, as persistentes disparidades sociais e a desigualdade na cobertura dos serviços de saúde tornam mais difícil que as respostas nacionais alcancem os grupos mais vulneráveis,” ressalta o documento.


Combate ao mosquito

"O estudo conclui que precisa haver um preparo em estratégias de resposta regionais e nacionais. Isso tem que ser fortalecido envolvendo também as comunidades. O custo econômico considerável da zika destaca a necessidade também de controlar o vetor, o mosquito Aedes aegypti de forma integrada e multissetorial, considerando que dengue, chikunguya e febre amarela são todos espalhados pelo mesmo tipo de mosquito."

Os especialistas afirmaram que ao combater a proliferação do mosquito será possível prevenir não somente a zika mas outras epidemias. O Pnud e a Cruz Vermelha recomendam ainda que os programas de proteção e os sistemas de cuidados médicos devem ser adaptados e reforçados para alcançar às pessoas que mais precisam de ajuda, incluindo mulheres, meninas e pessoas com deficiências.

A diretora da agência da ONU para a América Latina e o Caribe, Jessica Faieta, citou além da queda do PIB, perdas no setor do turismo e a pressão nos sistemas de saúde. Ela disse que as consequências de longo prazo do vírus da zika podem minar décadas de desenvolvimento social, avanços no setor da saúde e desacelerar o progresso em relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

O Pnud afirmou que a prevenção e a preparação para combater a zika e outras epidemias vão estar no topo da agenda da próxima reunião do G-20, em julho, que terá como foco emergências de saúde e gestão de crises.

Caribe

Das regiões analisadas, o relatório sugere que o Caribe será o mais afetado, com um impacto cinco vezes maior que o da América do Sul. “Mais de 80% das perdas potenciais em três anos devem-se à redução das receitas do turismo internacional, com o potencial de atingir um total de US$9 bilhões [cerca de R$ 28 bilhões] em três anos ou 0,06% do PIB anualmente”.

Ainda segundo o relatório, embora tenha havido esforços, por parte dos três países contemplados no relatório [Brasil, Colômbia e Suriname], para controlar a propagação do vírus, as respostas nacionais enfrentaram “desafios”.

Como forma de minimizar as perdas econômicas e sociais, o PNUD sugere mais investimentos em estratégias de prevenção, preparação e resposta nos âmbitos local, nacional e regional.

“É nossa esperança que este relatório ajude a mobilizar as partes interessadas – governos, comunidades, organizações internacionais, a sociedade civil e o setor privado – para realizar avaliações do Zika específicas a cada país e que permita planejar com o objetivo de melhorar a saúde e o bem-estar de todas e todos”.

Estimativas

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) até quatro milhões de pessoas serão infectadas na América Latina e no Caribe até o início de 2017. Além disso, a OMS afirma, com base em outras estimativas, que entre 80 a 117 milhões de pessoas e 1,5 milhão de mulheres grávidas em todo o mundo podem vir a ser infectadas antes de a primeira onda (2015 a 2017) da epidemia terminar.

* Com informações da ONU News
* Matéria atualizada às 18h09 para acréscimo de informações
Edição: Augusto Queiroz


Fonte: Portal EBC

06 de Abril de 2017, 19:44