O desafio do zika no transplante de órgãos
23 de Março de 2017, 11:29

Transplantes

PESQUISA DE uma equipe da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e do Hospital de Base de São José do Rio Preto motivou editorial da revista “American Journal of Transplantation” deste mês. O trabalho relata identificação dos primeiros casos de infecção pelo vírus da zika relacionados a portadores de transplante de órgãos, inéditos na literatura médica mundial em relação a este vírus.


Esses dois artigos, destaca a revista, ressaltam a necessidade de melhores estratégias no controle das consequências imunológicas do transplante de órgãos.

O professor Maurício Nogueira e colaboradores da faculdade e do Hospital de Base diagnosticaram o vírus em quatro pacientes portadores de órgãos transplantados, dois em receptores de rim e dois em receptores de fígado.

Os pacientes não apresentaram erupções vermelhas, conjuntivite ou sintomas neurológicos. Foram hospitalizados por apresentar função anormal nos enxertos, redução do número de plaquetas que poderiam resultar em hemorragias graves e superinfecção bacteriana.

O editorial diz que a expansão do zika nos EUA estabelece a necessidade de cuidados especiais com pacientes imunocomprometidos como os transplantados. Testes detectam no sangue e na urina o zika em portadores sintomáticos após duas semanas.

Comparados com hospedeiros normais, a persistência do vírus em transplantados é mais prolongada e a infecção pelo zika mais severa.


Folha de São Paulo, 18/03/2017