Pesquisadora estuda dores crônicas após chikungunya
20 de Abril de 2017, 15:39

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Pesquisadora cearense estuda as dores causadas pela febre chikungunya semanas após a picada do mosquito. A tese analisada pela acupunturista e anestesiologista Fabiana Freire é de que o vírus afeta o sistema neurológico e, por isso, os sintomas se tornam crônicos. Se ela estiver correta, o tratamento aplicado atualmente está incompleto, já que analgésicos e anti-inflamatórios são ineficazes nesse tipo de dano.

A médica está acompanhando a evolução da doença em cem pessoas. “O enfoque é ver o que está causando a dor crônica. Entre os pacientes de chikungunya, 50% estão tendo cronificação. É um índice muito alto”, comentou. Ontem, pacientes foram trazidos de Independência, a 309 km de Fortaleza, para serem submetidos a exames por Fabiana. A Cidade é uma das que têm maior manifestação da febre no Ceará. A análise inclui pessoas com dor aguda, nos 14 primeiros dias da doença, e crônica, aquela que permanece após três meses.

A contadora Maria José Ferreira, 57, foi submetida à análise da pesquisadora. “Já tem quatro meses que sinto dor e inchaço por causa da chikungunya. Já me passaram corticoide, analgésico e anti-inflamatório, que diminuíram o incômodo, mas ainda dói”, relatou.

Além de responder questionário sobre o estágio atual das dores, a contadora passou por termografia, procedimento que mede a perda de calor do corpo e identifica as zonas de maior incidência dos incômodos. A câmera infravermelha destaca áreas mais aquecidas e mais frias. “O que vejo são as assimetrias”, explicou a anestesiologista.

Tratamento

Segundo a pesquisadora, a dor causada pela chikungunya está sendo tratada como inflamação articular, enquanto os pacientes relatam dores meses após o contágio. “A dor pode virar crônica por ter esse componente neuropático que não está sendo tratado adequadamente”, disse.

Segundo ela, o tratamento ideal deveria ser complementado com moduladores de dor, com antidepressivos e anticonvulsivantes. A terapia inclui ainda técnicas de acupuntura, explicou a médica. “A dor cronifica se não for tratada adequadamente. Quanto antes a identificarmos, mais reversível será o quadro”, explicou.

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Saiba mais

Conforme O POVO publicou no dia 11, de janeiro a março do ano passado, a chikungunya teve 549 confirmações em Fortaleza. No primeiro trimestre deste ano, a Capital já teve 1.783 casos, ou seja, o número mais que triplicou (224%).

O quadro clínico da chikungunya é caracterizado por dor intensa nas articulações, principalmente, pés e mãos, incluindo dedos, punhos e tornozelos, e febre acima de 38,5°C na fase aguda.

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Fonte: O Povo