Denúncias de focos de dengue chegam a 4 mil
05 de Maio de 2017, 21:03

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As denúncias de focos do mosquito Aedes aegypti estão preocupando o órgão de saúde do Município de Fortaleza. Conforme os dados da célula de Ações de Controle de Vetores da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), de janeiro até ontem foram registradas 4 mil denúncias sobre focos de proliferação do Aedes nas setes regionais. Durante todo o ano de 2016, a Pasta contabilizou 11.930 registros. Neste ano, já atingimos 36% dos dados computados em todo o ano passado.

Neste mês se completa também um ano das chamadas "entradas forçadas", onde os agentes do Município entram nas residências com o apoio da um chaveiro e, no último caso, da Polícia. O recurso é utilizado após três notificações deixadas no terreno, apartamento ou prédio visitado nos quais o proprietário não atenda os avisos de contato da Regional. Apesar do alto índice de chamados, a população vem abrindo as portas para o trabalho dos agentes de endemias.

De acordo com o coordenador das Ações de Controle de Vetores da SMS, Carlos Alberto Barbosa, desde o início da operação a medida só foi tomada em 14 residências. "Está havendo uma atenção maior das famílias em abrir as portas aos agentes. As denúncias são maiores de fevereiro a junho por conta do aumento das arboviroses", disse.

Ainda segundo o coordenador, boa parte dos imóveis fechados estão ligados a problemas judiciais. "A gente entra em contato com os proprietários ou responsáveis legais. Eles jogam a culpa em terceiros. O que atrasa o nosso trabalho e ajuda na proliferação do Aedes", afirma.

Sobre o número de profissionais para vistoriar as 4 mil denúncias, o coordenador alega que existem 1.170 agentes no combate ao mosquito. "A atuação dos profissionais está pautada nas visitas domiciliares porta a porta, na supervisão, na visita em pontos estratégicos (borracharias e sucatas) e também no controle clínico", afirma o coordenador das Ações de Controle de Vetores da SMS, Carlos Alberto Barbosa.

Demora

A moradora do bairro Demócrito Rocha, Lúcia Arruda, 50, afirma que o trabalho dos agentes é demorado na região onde ela reside. "A gente sabe que eles vêm, mas é pequena a presença dos agentes", reclama. Segundo Barbosa, a SMS segue o que é repassado pelo Ministério da Saúde com visitas quinzenais em regiões com maiores índices e a cada dois meses em locais com menores notificações. "A preocupação
maior é com bairros da Regional I e III. Aldeota, Papicu, Meireles, Joaquim Távora, Dionísio Torres e Parquelândia apresentaram os maiores índices neste mês", diz.

Os casos das doenças provenientes do mosquito Aedes aegypti na Capital já ultrapassam mais de 20 mil registros suspeitos. Só da febre chikungunya foram contabilizados 10.179 casos suspeitos, sendo 407 de residentes em outros municípios e 9.772 em Fortaleza. Dos residentes no Município de Fortaleza 4.297 (44%) dos casos foram confirmados, 589 (6%) descartados e 4.886 (50%) ainda estão sendo investigados. 

Os registros do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) mostram que já foram encaminhadas 12.063 amostras para pesquisa de anticorpos por teste sorológicos IgM (ELISA) chikungunya, destas 4.651 (38,4%) foram liberadas e 7.412 (61,4%) aguardam resultado.

Já para dengue, a SMS contabiliza 11.216 casos suspeitos da doença, sendo 10.629 de residentes em Fortaleza e 587 de outros municípios. Dos residentes na Capital cearense, 3.434 (32,3%) notificações foram confirmadas, 2.624 (24,7%) descartadas, 3.672 (34,5%) estão sendo investigadas e 899 (8,5%) inconclusivas. Dessas, 97,5% (3.348) foram confirmados por critério clínico epidemiológico e 2,5% (86) por
laboratório.

Fique por dentro

Leis permitem entrada forçada em residências 

As regras para a entrada forçada das autoridades de saúde em residências fechadas estão na Lei nº 13.301, de 27 de junho de 2016. A iniciativa deve ser tomada apenas em situações excepcionais e visa permitir a execução das ações de controle ao mosquito Aedes aegypti e criadouros, quando há perigo iminente à saúde pública. A determinação vale enquanto durar a Emergência em Saúde Pública de Importância
Nacional (ESPIN). A medida já estava valendo desde fevereiro do ano passado por força de medida provisória.

O governador Camilo Santana também sancionou uma Lei estadual que reforça os termos da Medida Provisória do Governo Federal que autoriza a entrada forçada de agentes públicos em imóveis públicos ou particulares que estejam abandonados.

Denúncias 

Solicitação de vistorias ou denúncias podem ser feitas pelo número 0800.275.1364


Fonte: Diário do Nordeste