Fisioterapia alivia dores articulares causadas pela chikungunya
27 de Junho de 2017, 21:02

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A fisioterapia está entre as recomendações elaboradas pelo Ministério da Saúde para os pacientes de chikungunya. O tratamento não farmacológico é sugerido desde a fase aguda da doença, mas é importante sobretudo nas fases subaguda e crônica, ajudando a minimizar as persistentes dores articulares e garantindo a reabilitação dos pacientes.

As sessões têm sido importantes para a aposentada Maria Goretti Apoliano Sobreira, 64. Diagnosticada com hérnia de disco, ela conta que já faz regularmente hidroterapia. “Um dia, cheguei pra fazer e faltava coragem. A bolsa que sempre carrego parecia pesar uma tonelada”, descreve. Era o início da doença.

Os outros sintomas não demoraram. Goretti explica que as pernas incharam e surgiram manchas pelo corpo, acompanhadas por uma sensação de coceira. Acrescente ao quadro, uma enorme falta de apetite e muitas dores nos joelhos, tornozelos, pescoço, punhos e mãos.

O tratamento fisioterápico começou duas semanas após a chikungunya se instalar. “No início, eu mal conseguia me levantar. Mas logo que foi possível dei início à fisioterapia. Ainda sinto dores, alguns dias mais outros menos, mas de uma forma geral estou bem melhor”, garante.

Fátima Queiroz, fisioterapeuta do Hapvida Saúde, afirma que desde o início do ano viu a procura pela clínica aumentar, mesmo com a redução do número de casos de chikungunya com o fim do período chuvoso. É que as dores persistem por mais de três meses em alguns pacientes, entrando numa fase crônica que pode durar por até três anos.

"Alguns nos procuram porque estão afastados de suas atividades, sofrem com dores em várias articulações ao mesmo tempo. Ouvimos relatos de pessoas que têm dores e inchaços por anos”, conta a profissional.

Ela explica que o tratamento é baseado em técnicas analgésicas e anti-inflamatórias, mas é diferente para cada paciente, variando de acordo com os sintomas, a idade, a intensidade da dor de cada um. Para que a resposta seja mais eficiente, a fisioterapia deve estar associada a remédios prescritos por médicos.

Fátima diz ainda que o repouso é importante na fase aguda, mas se for muito prolongado pode ser ruim para as articulações. Por isso, a orientação é voltar gradativamente às atividades normais de acordo com a tolerância de cada indivíduo.

Para auxiliar na condução dos casos, a Sociedade Brasileira de Reumatologia criou um grupo de trabalho que elaborou recomendações para o processo terapêutico da febre chikungunya. O documento, elaborado a partir de dados publicados na literatura e a opinião dos especialistas que adquiriram experiência durante a epidemia, também orienta sobre a fisioterapia.

Na fase aguda, os especialistas indicam condutas analgésicas e anti-inflamatórias, devendo ser evitado o uso de calor. Adicionalmente devem ser recomendados educação do paciente, orientações posturais e terapia manual, além de exercícios de leve intensidade. Nas fases subaguda e crônica, eles recomendam a inclusão de compressas mornas, além de exercícios ativos livres, resistidos, proprioceptivos e aeróbicos, alongamento e terapia manual.


Fonte: O Povo