Infecção por chikungunya pode desencadear doença reumática crônica

Uma das hipóteses é a de que o vírus se alojaria na estrutura das articulações e estimularia o processo inflamatório


Pessoas com predisposição para a artrite reumatoide podem desenvolver a doença, se desencadeada pela inflamação da febre chikungunya. A artrite reumatoide afeta as articulações e pode provocar rigidez, desgaste ósseo e uma série de incapacidades para as atividades diárias. A doença é crônica, progressiva e de natureza autoimune.

A relação entre artrite reumatoide e chikungunya foi um dos temas da última edição do Congresso Brasileiro de Reumatologia, no ano passado. O número de casos de infecção pelo vírus chikungunya no Brasil, em 2016, apresentou um aumento de 594% na comparação com o ano anterior. Foram 265.554 notificações, ante os 38.240 casos registrados em 2015, segundo o Ministério da Saúde. O aumento do número de mortes também subiu, de 14 para 159 de um ano para o outro.

Em 2017, a febre chikungunya continua a avançar no Brasil. Apenas no mês de janeiro foram notificados 300 casos da enfermidade em Minas Gerais, ante os 36 registrados no primeiro mês de 2016, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais.

Assim como a dengue e o zika vírus, a febre chikungunya é transmitida por mosquitos Aedes aegypti contaminados. Mas, embora existam sintomas comuns entre as três doenças, como dor de cabeça, febre e manchas vermelhas na pele, a infecção por chikungunya se difere das demais pelas manifestações articulares, muitas vezes acompanhadas de inchaço.

Artrite reumatoide

A origem da artrite reumatoide está relacionada a vários fatores, como a predisposição genética, a exposição a fatores ambientais (entre eles o cigarro) e possíveis infecções. Nesses pacientes, o sistema imunológico produz substâncias inflamatórias em excesso, que atacam especialmente a membrana sinovial, uma estrutura que recobre as articulações, estimulando o processo inflamatório.

Segundo a reumatologista Ieda Laurindo, existem várias hipóteses para explicar a conexão entre a febre chikungunya e a artrite reumatoide. "Uma das possibilidades é a de que o vírus se alojaria justamente na membrana sinovial, desencadeando a doença reumática”.

Terapias

Não existe cura definitiva para a artrite reumatoide. Mas existem tratamentos capazes de controlar a doença, principalmente quando o diagnóstico é feito precocemente. Com isso, é possível diminuir a atividade da enfermidade, aliviar a dor e aumentar a qualidade de vida do paciente.

Os medicamentos agem regulando a autoimunidade exagerada da doença. Os chamados medicamentos modificadores do curso da doença, conhecidos pelas siglas MMCDs, estão disponíveis em várias opções terapêuticas sintéticas e biológicas.

Fonte: Diário do Nordeste - Vida

06 de Abril de 2017, 14:58

Número de casos de febre chikungunya no Ceará dobra em uma semana

Quase metade dos casos da doença ocorre em Fortaleza, segunda a Secretaria da Saúde.​


O número de casos confirmados de febre chikungunya confirmados no Ceará em 2017 mais que dobraram no intervalo de uma semana. De acordo com boletim epidemiológico divulgada pela Secretaria da Saúde do Ceará nesta terça-feira (4), o estado tem 2.677 registros da doença; na semana anterior, eram 1.281 confirmações.

A doença causou uma morte neste ano, em Fortaleza, em fevereiro. Ainda conforme a secretaria, quase metade dos casos da doença ocorrem na capital cearense, com 1.385 confirmações até a primeira semana de abril. Em Caucaia, são 397 casos.

CHIKUNGUNYA E OS SINTOMAS

Por ser transmitido pelo mesmo vetor da dengue, o mosquito Aedes aegypti, e também pelo mosquito Aedes albopictus, a infecção pelo chikungunya segue os mesmos padrões sazonais da dengue. O risco aumenta em épocas de calor e chuva, mais propícias à reprodução dos insetos. Eles também picam principalmente durante o dia.

Entre quatro e oito dias após a picada do mosquito infectado, o paciente apresenta febre repentina acompanhada de dores nas articulações.

Outros sintomas, como dor de cabeça, dor muscular, náusea e manchas avermelhadas na pele, fazem com que o quadro seja parecido com o da dengue. A principal diferença são as intensas dores articulares.

Em média, os sintomas duram entre 10 e 15 dias, desaparecendo em seguida. Em alguns casos, porém, as dores articulares podem permanecer por meses e até anos.

De acordo com a OMS, complicações graves são incomuns. Em casos mais raros, há relatos de complicações cardíacas e neurológicas, principalmente em pacientes idosos. Com frequência, os sintomas são tão brandos que a infecção não chega a ser identificada, ou é erroneamente diagnosticada como dengue.

Não há um tratamento capaz de curar a infecção, nem vacinas voltadas para preveni-la. O tratamento é paliativo, com uso de antipiréticos e analgésicos para aliviar os sintomas.

Se as dores articulares permanecerem por muito tempo e forem dolorosas demais, uma opção terapêutica é o uso de corticoides.

Fonte: G1 - Ceará


06 de Abril de 2017, 14:24

Pesquisadores dos EUA iniciam segunda fase de testes de vacina contra zika

Pesquisadores começaram a segunda fase de testes de uma vacina contra o vírus da zika, desenvolvida por cientistas do governo dos Estados Unidos, em um experimento que pode produzir resultados preliminares já no final de 2017.

O Dr. Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (Niaid), disse nesta sexta-feira (31) que o experimento de 100 milhões de dólares já foi financiado e irá seguir adiante, independentemente dos 7 bilhões de dólares em cortes no orçamento dos Institutos Nacionais da Saúde dos EUA (NIH) propostos pelo governo do presidente dos EUA, Donald Trump, durante os próximos 18 meses.

Em entrevista coletiva a repórteres, Fauci não comentou sobre as propostas de cortes de gastos porque ainda não é certo qual será o orçamento real.

O diretor dos NIH, Dr. Francis Collins, deve conversar com Trump posteriormente nesta sexta-feira. “Irei com certeza conversar com Francis Collins quando ele voltar da Casa Branca”, disse Fauci.

O zika tipicamente causa sintomas leves, mas quando o vírus infecta uma mulher grávida, ela pode passa-lo ao feto, causando uma variedade de más-formações congênitas, incluindo microcefalia, no qual a cabeça do bebê nasce menor do que o normal.

Fauci disse que a atual candidata à vacina contra o zika passou por barreiras preliminares de segurança e agora irá entrar em testes de eficácia, que irão ocorrer em duas fases.

A primeira fase irá continuar testando a segurança e avaliando a habilidade da vacina de estimular o sistema imunológico para desenvolvimento de anticorpos na luta contra o zika. Ela também irá testar diferentes dosagens, para ver qual funciona melhor.

A segunda fase, marcada para começar em junho, irá tentar determinar se a vacina pode realmente prevenir a infecção do zika.

Diversas companhias estão desenvolvendo vacinas contra o zika, incluindo a Sanofi SA, GlaxoSmithKline Plc e Takeda Pharmaceuticals.

No estudo do Niaid, pesquisadores buscam alistar ao menos 2.490 voluntários saudáveis em áreas com transmissões ativas possíveis ou confirmadas do zika por mosquitos. Isso inclui partes continentais dos Estados Unidos, Porto Rico, Brasil, Peru, Costa Rica, Panamá e México. Eles irão receber a vacina ou um placebo e serão monitorados por dois anos.

Caso pessoas suficientes sejam expostas ao vírus, Fauci disse que podem receber um sinal de eficácia tão cedo quanto o fim deste ano. Os testes são esperados para serem finalizados em 2019. Fauci disse que o governo já está em discussões com companhias farmacêuticas que irão compartilhar os custos do estágio final de testes e lidar com a fabricação.

O zika é primariamente transmitido por mosquitos, mas também pode ser transmitido sexualmente. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, 5.182 pessoas em áreas continentais dos EUA foram infectadas pelo Zika localmente ou em viagens a áreas onde o vírus se espalha. Outros 38.303 casos foram relatados em territórios norte-americanos, incluindo Porto Rico.

Fonte:G1

04 de Abril de 2017, 18:15

Confirmações de chikungunya no Ceará aumentam 722% em menos de dois meses

As confirmações de casos de febre chikungunya, doença transmitida pelo mosquito aedes aegypti — assim como dengue e zika —, aumentaram 722% no período entre a primeira semana de fevereiro e a penúltima semana de março, de acordo com boletim de arboviroses da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa). O número sobe de 227 para 1.867. Do total, 1.024 são registrados em Fortaleza. As notificações de casos tiveram crescimento de 546%, aumentando 1.341 para 8.667.



Dos casos confirmados, 67,7% concentraram-se nas faixas etárias entre 20 e 59 anos e 61,4% são mulheres.



De acordo com a coordenadora de Promoção e Proteção à Saúde da Secretaria da Saúde (Sesa), Daniele Queiroz, o aumento se dá devido ao período de sazonalidade da doença, relativo ao aumento de chuvas, calor e umidade. Segundo ela, a suscetibilidade da população à chikungunya, tendo em vista que é uma doença recente, também é uma das razões para o aumento significativo de casos.



Para Daniele, no entanto, a situação do Estado ainda é de “baixo risco”. “A incidência é de 93,7 casos suspeitos por 100.000 habitantes”, detalha. Ela cita que existem municípios apresentando cenário de alto risco, com incidências acima de 300 casos por 100 mil habitantes. De acordo com boletim da Sesa, os municípios de Aracoiaba, Independência, Ocara, Groaíras, Canindé, Caucaia e Cascavel estão nessa situação. As cidades de Baturité e Pentecoste preocupam, apresentando incidência maior de casos do que a taxa de alto risco.



Notificação



O alto número de notificações, de acordo com a coordenadora, é devido a “alta incidência de várias viroses que podem ser confundidas pela sua sintomatologia”. “A notificação é feita diante da simples suspeita. Para confirmar deve-se utilizar o critério laboratorial ou por vínculo com outros casos que tiveram confirmação laboratorial, e ainda pela clínica”, esclarece a coordenadora.



Medidas



Ainda segundo Daniele, “a Sesa dispõe de um plano de Vigilância e Controle das Arboviroses, lançando no final do ano passado, para auxiliar as Coordenadorias Regionais de Saúde e municípios nas ações de enfrentamento”. “É realizado um monitoramento semanal da situação entomoepidemiológica dos municípios, gerando cartas de alerta a todos os que se encontrarem em situação de risco aumentado para arboviroses. Além de um Comitê Estadual de Enfretamento do Aedes aegypti com representantes das Secretarias de Governo e outros órgãos”, cita.


Fonte: O Povo
04 de Abril de 2017, 18:06

O desafio do zika no transplante de órgãos

PESQUISA DE uma equipe da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e do Hospital de Base de São José do Rio Preto motivou editorial da revista “American Journal of Transplantation” deste mês. O trabalho relata identificação dos primeiros casos de infecção pelo vírus da zika relacionados a portadores de transplante de órgãos, inéditos na literatura médica mundial em relação a este vírus.


Esses dois artigos, destaca a revista, ressaltam a necessidade de melhores estratégias no controle das consequências imunológicas do transplante de órgãos.

O professor Maurício Nogueira e colaboradores da faculdade e do Hospital de Base diagnosticaram o vírus em quatro pacientes portadores de órgãos transplantados, dois em receptores de rim e dois em receptores de fígado.

Os pacientes não apresentaram erupções vermelhas, conjuntivite ou sintomas neurológicos. Foram hospitalizados por apresentar função anormal nos enxertos, redução do número de plaquetas que poderiam resultar em hemorragias graves e superinfecção bacteriana.

O editorial diz que a expansão do zika nos EUA estabelece a necessidade de cuidados especiais com pacientes imunocomprometidos como os transplantados. Testes detectam no sangue e na urina o zika em portadores sintomáticos após duas semanas.

Comparados com hospedeiros normais, a persistência do vírus em transplantados é mais prolongada e a infecção pelo zika mais severa.


Folha de São Paulo, 18/03/2017

23 de Março de 2017, 11:29

Pequenas empresas criam tecnologias para combater vírus da Zika

Pequenas empresas criam tecnologias para combater vírus da Zika

As estratégias de combate ao vírus Zika e ao mosquito Aedes aegypti devem ganhar reforços nos próximos meses. Um grupo de seis pequenas empresas paulistas desenvolverá, com apoio da FAPESP e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), repelentes à base de novos compostos naturais e armadilhas para captura do Aedes, entre outras soluções, a fim de aumentar as barreiras contra o vetor da Zika, dengue, chikungunya e da febre amarela.

As empresas foram selecionadas em uma chamada lançada pela FAPESP e a Finep, no âmbito do acordo FAPESP e MCTI/FINEP/FNDCT – Subvenção Econômica à Pesquisa, por meio do PAPPE Subvenção, com objetivo de selecionar propostas de projetos que visem ao desenvolvimento de tecnologias para produtos, serviços e processos voltados ao combate do vírus Zika e do mosquito Aedes aegypti. O resultado da chamada foi anunciado no final de janeiro.

As propostas seguiram as normas do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP.

“Já vínhamos desenvolvendo o produto, independente de a nossa proposta ser selecionada na chamada. Mas, agora, com recursos da FAPESP e da Finep, o desenvolvimento deverá ser muito mais rápido”, disse Bruno de Arruda Carillo, diretor da DC Química, à Agência FAPESP.
A empresa, localizada em São Caetano do Sul, pretende viabilizar a aplicação do ramnolipídeo – um composto produzido por bactérias, como as Pseudomonas aeruginosa – como repelente.

A substância já era conhecida como um biossurfactante – um composto de origem natural que possui a capacidade de reduzir a tensão superficial (elasticidade da superfície) de líquidos e emulsionar compostos com diferentes polaridades (eletronegatividade), as polares e as apolares. É utilizado na indústria, principalmente na de produtos de limpeza, como detergentes, por sua capacidade emulsionante – de unir substâncias que não se misturam, como a água e o óleo–, e na de cosméticos, entre outras.

Nos últimos anos, contudo, começaram a surgir estudos relatando que a molécula também demonstra ter ação larvicida e repelente.

A fim de comprovar essas propriedades propaladas do ramnolipídeo, os pesquisadores da empresa realizaram testes preliminares. Os resultados dos testes da substância como larvicida para matar larvas do mosquito Aedes aegypti, entretanto, não foram satisfatórios. Com base nessa constatação, a empresa decidiu testar a sua aplicação como repelente.

“Fizemos alguns testes iniciais e os resultados foram muito bons. Estimamos que em dois anos consigamos disponibilizar amostras para empresas interessadas a fim de viabilizar a produção de repelentes à base desse composto”, disse Carillo.

Tempo de repelência
Um dos maiores desafios tecnológicos para o uso do ramnolipídeo como repelente, de acordo com o pesquisador, é fazer com que apresente ação de repelência pelo mesmo período que as matérias-primas convencionais.

A molécula sintética DEET (N,N-Dietil-m-toluamida) usada na composição da maioria dos repelentes comercializados hoje no mercado brasileiro tem ação de duas horas. Já a icaridina – substância derivada da pimenta, que começou a surgir na formulação de repelentes recém-lançados no Brasil – pode ter efeito de até 10 horas, caso a temperatura não seja superior a 30 °C e a pessoa não tenha entrado em contato com água.

O problema é que o DEET é tóxico e, por isso, só pode ser reaplicado três vezes ao dia, o que possibilita uma proteção total de até seis horas. Já a icaridina ainda é muito cara, comparou Carillo.

“Ainda não conseguimos atingir o tempo mínimo de repelência que desejamos, que é de duas horas. Mas estimamos que conseguiremos atingir essa meta por meio de mudanças na formulação do produto, que deverá ser um líquido”, afirmou.

Já a Nanomed, uma spin-off surgida na USP, pretende fazer com que o óleo essencial do cravo-da-índia (Eugenia caryophyllata) tenha ação de repelência de oito horas.

Para isso, os pesquisadores da empresa pretendem encapsular a molécula em partículas na escala nanométrica (da bilionésima parte do metro) para que a sua liberação seja controlada. Dessa forma, será possível assegurar a atividade de repelência por oito horas, o que não é possível hoje por meio das formulações convencionais.

“O óleo essencial do cravo-da-índia é uma substância muito volátil [transforma-se facilmente em gás ou vapor quando exposta ao ar]. Por isso não dura muito tempo em condições normais de temperatura”, explicou Amanda Luizetto dos Santos, diretora da Nanomed.

Os repelentes caseiros à base de uma mistura de óleo essencial de cravo-da-índia e álcool, por exemplo, têm ação de repelência de apenas 30 minutos, disse a pesquisadora.

A fim de atingir as oito horas de ação de repelência almejada, a empresa pretende encapsular o composto natural em nanopartículas que romperiam gradativamente, liberando o produto de forma controlada e modulada – a exemplo das nano e micropartículas produzidas hoje para encapsular fragrâncias de amaciantes e produtos cosméticos.

“Nosso objetivo é tanto disponibilizar o ativo encapsulado como matéria-prima, como também desenvolver produtos finais à base dele, em creme e aerossol”, afirmou Santos.

Armadilha para mosquito
Em vez de repelir o Aedes aegypti, a empresa Bio Controle, sediada no município de Indaiatuba, pretende capturar e prender as fêmeas do mosquito – principalmente as grávidas – em armadilhas para inibir a reprodução e a proliferação do mosquito.

Para isso, pretende utilizar compostos químicos sintéticos, como ácidos graxos, que mimetizam os odores dos humanos, além de luz com intensidade e cores específicas, para atrair os mosquitos para as armadilhas.

A ideia é que, ao se aproximar das armadilhas atraídos pelo odor exalado pelos compostos químicos sintéticos liberados de forma controlada, os mosquitos fiquem grudados em uma superfície adesiva que será colocada em torno dos dispositivos.

“Já desenvolvemos e comercializamos uma série de armadilhas para o monitoramento e coleta em massa de diversos insetos que atacam culturas agrícolas utilizando feromônios [hormônios sexuais] sintéticos”, disse Mário Yacoara de Menezes Neto, diretor da empresa.

“Nosso objetivo, agora, é testar outros compostos químicos sintéticos como atrativos em armadilhas para capturar o Aedes aegypti de forma mais simples e prática”, afirmou.

A empresa pretende, com o apoio da FAPESP e da Finep, desenvolver protótipos de armadilhas que possam ser usadas tanto pelos agentes de saúde pública, como também pela população em geral.

“Como as armadilhas deverão ser atóxicas, não necessitariam de uma regulamentação específica para serem comercializadas”, estimou Menezes.

Por sua vez, a empresa Barth/Inovatech pretende desenvolver um teste de diagnóstico sorológico rápido e de baixo custo para o Zika vírus, utilizando a plataforma Elisa, para disponibilizá-lo, principalmente, ao Ministério da Saúde.

Para atingir esse objetivo, os pesquisadores vinculados à empresa estão modificando algumas técnicas de biologia molecular utilizadas no desenvolvimento dos testes de diagnóstico existentes hoje, que elevam o custo do processo.

“Um kit de diagnóstico de Zika vírus para 100 amostras desenvolvido por uma empresa estrangeira custa no Brasil hoje entre R$ 4 mil e R$ 6 mil. Pretendemos desenvolver um teste para esse mesmo número de amostras que custe entre R$ 1,2 mil e R$ 1,7 mil”, disse Danielle Bruna Leal de Oliveira Durigon, pesquisadora responsável.

A chamada esteve aberta a pesquisadores vinculados a microempresas, empresas de pequeno porte, pequenas empresas, médias empresas brasileiras, sediadas no Estado de São Paulo.

Fonte: https://goo.gl/qRydyH

16 de Março de 2017, 11:14

Confirmada primeira morte por febre chikungunya

Confirmada primeira morte por febre chikungunya

A Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) confirmou o primeiro óbito por febre chikungunya neste ano no Ceará. O dado está presente na Atualização Semanal das Doenças de Notificação Compulsória, divulgado no dia 7. De acordo com o relatório, o óbito foi registrado em Fortaleza, município com o maior número de casos da doença no Estado em 2017, já somando 367 ocorrências. A fatalidade vinha sendo investigada pelo órgão estadual desde fevereiro. A Sesa, contudo, não forneceu informações sobre a vítima.

No total, segundo o documento, 661 pessoas foram diagnosticadas com a arbovirose no Estado até agora. Em relação à atualização publicada na semana anterior, houve aumento de 57% na quantidade de casos confirmados. Dezenove cidades cearenses registraram ocorrências da doença. Além de Fortaleza, Pentecoste e Baturité são os municípios mais afetados, com 110 e 106 casos, respectivamente.

O óbito confirmado nesta semana junta-se às 26 mortes registradas em decorrência da febre de chikungunya no ano passado, segundo o último boletim epidemiológico da Sesa, datado de 24 de fevereiro. O gerente da Célula de Vigilância Ambiental e Riscos Biológicos da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Nélio Morais, afirma que a doença tem provocado mais óbitos que o esperado no Estado e no restante do País, o que torna o cenário epidemiológico previsto para 2017 preocupante.

"Nos outros países, a chikungunya não tem caracterização de óbito tão forte. No Brasil, não sabíamos qual seria a resposta clinica, mas agora vemos um número de óbitos além da expectativa imaginada", diz.

Segundo ele, em Fortaleza, algumas áreas, localizadas nas Regionais 1, 3 e 4 concentram a maior parte dos casos. São os bairros Montese, Antônio Bezerra, Barra do Ceará, Cristo Redentor e Álvaro Weyne. Essas regiões vem sendo os principais alvos das ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.

O gerente da célula da SMS destaca que, neste ano, diante das chances de o Ceará ter chuvas dentro da média histórica, com maiores volumes que os registrados nos últimos anos, a vigilância deve ser dobrada. "Nesse período, a chance de formar criadouros em depósitos com acúmulo de água é grande. É tanto que nossa segunda maior epidemia de dengue foi em 2011, quando tivemos um dos melhores invernos em Fortaleza".

Por conta dos altos riscos de proliferação do Aedes aegypti, a SMS está intensificando algumas ações de combate ao mosquito. Um dos trabalhos promovidos é a Operação Quintal Limpo. O gerente afirma que ação visa à conscientização da população sobre a necessidade de limpar os quintais das casas, recolhendo objetos descartados que podem se tornar criadouros.

Visitas educativas

Outra medida é realização da Operação Foco a Foco, que consiste em visitas educativas a imóveis considerados vulneráveis ao desenvolvimento de focos. "Selecionamos os 100 mil imóveis mais problemáticos da cidade nos últimos anos. São imóveis com cacimbas e caixa d'água não vedadas, rampas de lixo nas proximidades, e fizemos visitas permanentes para sensibilizar os proprietários. Alguns até ficaram incomodados, mas eles precisam entender".

"Enquanto não resolvermos o componente educacional, não vamos resolver o problema. Não tem agente de endemias que dê conta. A população tem que criar consciência ou vamos pagar caro por isso", diz Morais.

14 de Março de 2017, 17:40

Universitários fazem repelentes para combater o Aedes aegypti; veja receita

Universitários aprenderam a produzir um repelente com ingredientes naturais para se proteger dos mosquitos e que qualquer pessoa pode fazer em casa. A expectativa é de que se gaste apenas R$ 3 para a produção de um frasco de repelente de aproximadamente 600 ml.

A base para a loção é o cravo-da-índia, especiaria conhecida por afastar insetos de todo o tipo. Dos principais mosquitos repelidos pelo produto estão o Aedes aegypti, o Culicidae (Mosquitos e pernilongos) e o Trypanosoma Cruzi (Barbeiro). Além disso, a receita conta também com ingredientes como óleo de amêndoas e álcool de cereais, todos ingredientes de baixo custo.

A validade do repelente também é fácil de ser percebida - seu tempo de uso é determinado através do aroma do cravo-da-índia, ou seja, enquanto o aroma do cravo permanecer, o produto pode ser utilizado. São aproximadamente dois meses.

A receita foi trazida pelas técnicas de laboratório Suseanne Kedma e Estefane Santos, com supervisão da professora Renata Andrade, para a Mostra de Responsabilidade Social da Faculdade DeVry | FBV. As técnicas explicam que a ideia surgiu após notarem diversas áreas de risco para contaminação pelo Aedes aegypti na região.

Confira a receita do repelente natural:

INGREDIENTES:
- 1/2 litro de álcool de cereais
- 10g de cravo-da-índia
- 100ml de óleo de amêndoas
- 1 frasco escuro para a mistura

Misture o álcool de cereais com os cravos em um frasco escuro (que não deixe a luz passar) e bem fechado. Deixe a solução descansando por quatro dias, durante esse tempo, agite duas vezes por dia, de manhã e à noite. Após esse período, coe a solução, descartando os cravos. Em seguida acrescente o óleo de amêndoas e agite bem.

MODO DE USO:
Passe uma pequena quantidade nas regiões expostas do corpo.

RECOMENDAÇÕES:
- Não é recomendado o uso por pessoas com alergia a qualquer um dos componentes da fórmula.
- Não aplicar em pele lesionada, evitar contato com os olhos, boca e nariz.
- Não ingerir.
- Em caso de reação adversa, procurar imediatamente um médico.
- Produto natural, sem processos farmacológicos ou testes laboratoriais.
- Por conter óleo de amêndoas em sua composição, pode causar queimaduras caso a pessoa se exponha ao sol logo em seguida.

Fonte: https://goo.gl/ptIZsm

07 de Março de 2017, 16:39

Estudantes criam pesquisa para o combate ao zika e concorrem a prêmio internacional

Estudantes criam pesquisa para o combate ao zika e concorrem a prêmio internacional Após dois estudantes de uma escola pública do interior do Ceará identificarem uma proteína capaz de combater a proliferação do zika vírus no organismo, o trabalho científico foi selecionado para participar da maior feira internacional de pré-universitários, em Los Angeles, nos Estados Unidos. A reportagem é da Rádio Tribuna Band News FM. A pesquisa de Gabriel Moura, de 19 anos e Myllena Crystina, de 17, moradores de Iracema, no interior do Ceará, seria mais um passo para a cura da doença, que está ligada aos casos de microcefalia em recém-nascidos de todo o país. Gabriel explica que ao estudarem sobre a dengue tipo 2 e o zika, eles identificaram que os remédios disponíveis para minimizar os sintomas das doenças não agiam de forma conjunta para as duas enfermidades. E por isso foi preciso realizar alterações nos medicamentos. “A gente percebeu que os fármacos da dengue não funcionam no zika, foi daí que a gente começou a trabalhar com a química computacional, onde a gente pegou uma molécula e começamos a modificar essa molécula de algumas formas. Depois disso a gente fez um teste com a proteína responsável pela proliferação do vírus no organismo. A gente ficou muito animado porque é uma possível esperança para a cura da doença”. Todo o estudo pode servir como base para outros pesquisadores devido às poucas informações que ainda se tem sobre a doença. A pesquisa, que começou no fim de 2015, foi selecionada para participar da Feira Internacional de Ciências e Engenharia, a Fair Intel Isef 2017, que acontece em maio, nos Estados Unidos. Os estudantes podem ganhar bolsas de estudos e financiamentos para continuar com o projeto. No Ceará, de acordo com o boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde do Estado, desde o início do surto em 2015, 152 casos de microcefalia relacionados ao zika vírus foram confirmados. Fonte: https://goo.gl/TFD2D5
23 de Fevereiro de 2017, 12:43

Projeto reduz casos de dengue em 86% em cidade australiana

Projeto reduz casos de dengue em 86% em cidade australiana Um programa de combate à dengue baseado nas informações dos pacientes infectados e na aplicação de inseticida conseguiu o notório índice de 86% de redução de casos na cidade de Cairns, no norte da Austrália. O trabalho foi apresentado à imprensa no encontro anual da Associação Americana para o Progresso da Ciência (AAAS, na sigla em inglês), em Boston, e publicado nesta sexta (17) na revista "Science Advances". O segredo, segundo os cientistas, é o bom uso da informação fornecida pelos pacientes. No formulário de notificação da dengue às autoridades, preenchido pelo médico, consta também um telefone para contato. O PROGRAMA PREVIA QUE, após a confirmação do diagnóstico, um enfermeiro ou agente de saúde ligaria para o paciente e tentaria resgatar os lugares onde ele passou mais tempo nos dias que antecederam o início dos sintomas. Quando um local era associado a múltiplos casos, uma equipe da cidade fazia uma aplicação de um tipo de inseticida que tem efeito residual de longa duração, a molécula lambda-cialotrina, da classe dos piretroides. O alvo é o Aedes aegypti, principal vetor da doença e altamente adaptado a centros urbanos. Os cientistas apontaram que, se houvesse resistência dos insetos a essa classe de inseticidas, ainda seria possível recorrer a outras, como a dos carbamatos. A PROPORÇÃO DE PESSOAS infectadas em locais de risco ("hotspots") era de 37% em áreas não tratadas. Depois da aplicação do inseticida, caiu para 5%. Nos pontos onde houve aplicação, a incidência permaneceu baixa por mais de cem dias. A substância foi aplicada em locais mais escuros, onde provavelmente os mosquitos se escondem, afirma o autor do trabalho Scott Ritchie, da Universidade James Cook, na Austrália. Alguns esconderijos possíveis são embaixo de móveis, dentro de armários, cantos pouco iluminados, adjacências de muros e paredes úmidas. A aplicação do inseticida leva de 20 a 30 minutos e também é feita em todos os imóveis em um raio de 100 m do ponto identificado pelo programa. Um dos problemas do método, afirma Gonzalo Vazquez-Prokopec, cientista da Universidade Emory e autor do estudo, é o custo do inseticida –mais caro que os demais– e de pessoal treinado para aplicá-lo, já que a ação prevista leva mais tempo. Outro porém é que seria inviável fazer o mesmo em uma cidade do tamanho de São Paulo, diz Vazquez-Prokopec. "Pode ser possível desenvolver, após uma análise adequada dos dados, uma abordagem em áreas de alto risco, onde há historicamente uma alta incidência de dengue", disse à Folha. Mesmo na cidade de Cairns, que tem cerca de 150 mil habitantes, os agentes não conseguiram fazer a aplicação em todos os locais planejados. Vazquez-Prokopec afirma que ainda é necessário mais investimento em pesquisa para que essas e outras medidas de combate ao vetor consigam ser aplicadas em larga escala. Uma das metas é reduzir o tempo médio de aplicação para dez minutos. UM OUTRO PROJETO NO QUAL Richie está envolvido é o uso da bactéria Wolbachia para controlar a proliferação dos Aedes. O mosquito infectado por ela tem sua capacidade reprodutiva piorada e também passa a bactéria para a prole. Para os autores, o futuro do combate às arboviroses como dengue, zika e chikungunya terá uma integração de métodos que vão desde o controle do vetor e dos focos até a vacinação da população. Eles não deixam de puxar brasa para sua sardinha, claro: a intervenção obteve um índice de até 96% de proteção, dependendo de como é feita a análise. Os testes com vacinas mostram uma proteção de cerca de 70%, nos melhores casos, para alguns sorotipos do vírus da dengue. No caso da zika, as vacinas ainda estão em estágio inicial de desenvolvimento.. As ações ocorreram entre 2008 e 2009 mas só foram analisadas recentemente, graças a um financiamento obtido por Vazquez-Prokopec. Segundo ele, existe uma heterogeneidade na distribuição e na dinâmica de surgimento de novos casos –e esse seria um ponto chave no combate às epidemias. As ações de combate poderiam ser menores, mais cirúrgicas e com um efeito maior, se houvesse estudo adequado. Como Cairns se tornou uma espécie de "hub", ou distribuidor, da doença, para cidades vizinhas menores, ações direcionadas teriam impacto maior do que só a redução da incidência local. Fonte: https://goo.gl/mDoonL
21 de Fevereiro de 2017, 11:11