Zika pode ser transmitida por mosquito “primo” do Aedes aegypti

São Paulo – O Aedes aegypti pode não ser mais o único mosquito a transmitir a zika. Um grupo de cientistas encontraram fragmentos de RNA do vírus em amostras de mosquitos Aedes albopictus, conhecidos popularmente como mosquito tigre asiático, coletadas na cidade de Camaçari, na Bahia.Em maio de 2015, a Organização de Saúde Panamericana divulgou um alerta sobre os primeiros casos de transmissão da zika no Brasil. Um dos estados mais afetados pelo surto foi a Bahia. Em Camaçari, 7.391 casos suspeitos de doença infecciosa como a zika foram relatados, segundo dados de 2016 da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia.Devido a esses números alarmantes, os especialistas suspeitaram que outras espécies de mosquito poderiam estar envolvidas na transmissão. Até então, o Aedes aegypti era a única espécie conhecida como vetor da zika para seres humanos.Por isso, no mesmo ano, os pesquisadores coletaram ovos de mosquito encontrados em diversos bairros de Camaçari para estabelecer uma colônia de laboratório. De acordo com o estudo, os ovos coletados forneceram 20 fêmeas e 19 machos adultos de Aedes albopictus. Todos passaram por exames de análise de RNA.Após repetir os testes quatro vezes em cada amostra, os cientistas encontraram três fêmeas e dois machos do mosquito com indícios do zika. Segundo o estudo, isso significa que as fêmeas coletadas na cidade baiana foram infectadas pela zika e transmitiram fragmentos do vírus para seus descendentes.Contudo, os pesquisadores são cautelosos e ainda não afirmam que o Aedesalbopictus pode transmitir o vírus da zika verticalmente – quando uma infecção é passada do mosquito mãe para sua prole. “Detectar fragmentos de RNA sem encontrar o vírus zika vivo sugere que, ou a mãe não estava infectada com o vírus zika vivo ou que não foi capaz de transferir o vírus vivo da zika para seus ovos”, disse Chelsea Smartt, autora principal do estudo, em comunicado.Para comprovar que o mosquito é capaz de transmitir a doença, os cientistas precisam responder duas perguntas, de acordo com o estudo. A primeira é entender se o RNA da zika encontrado foi devido à contaminação durante o processamento dos mosquitos. A segunda é se esse RNA é infeccioso.“Trabalhos futuros são necessários para caracterizar o mecanismo responsável pela transferência de RNA para os ovos de Aedes albopictus e se o vírus vivo pode acompanhar isso em várias condições ainda desconhecidas”, aponta a pesquisa.Apesar de o estudo ainda ser inicial, Smartt explica que os resultados significam que o Aedes albopictus pode estar relacionado à transferência do vírus zika e deve ser motivo de preocupação para a saúde pública.“Este mosquito é encontrado em todo o mundo, tem uma grande variedade de hospedeiros e adaptou-se a climas mais frios”, disse a cientista. “O papel deste mosquito na transmissão do vírus precisa ser avaliado.”AEDES ALBOPICTUS X AEDES AEGYPTIPela foto que ilustra esta matéria, dá para ver que o Aedes albopictus tem uma aparência bem similar ao do Aedes aegypti. Ambos têm coloração preta com pequenas manchas brancas no corpo e listras brancas nas patas. Os dois são da mesma família (Aedes) e do mesmo gênero (Culicidae).As similaridades não param por aí. Como o aegypti, o albopictus tem uma relação bem próxima com os seres humanos. Nós somos fonte de alimento para essa espécie e também criamos locais de reprodução convenientes. O albopictus prefere habitar áreas urbanas, onde pode colocar seus ovos em pequenas bolsas de água.Devido a esse contato com os humanos, muitos pesquisadores já questionaram se a espécie tem a capacidade de atuar como vetor da febre amarela e da dengue. Um estudo, publicado em 1990, demonstrou em laboratório que populações do Aedes albopictus no Brasil podem transmitir a dengue.Outra pesquisa de 1993, realizada por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz, observou na natureza que essa espécie de mosquito é capaz de transmitir o vírus da dengue verticalmente. As amostras de larvas usadas na análise foram coletadas no estado de Minas Gerais.CONTROLE DA POPULAÇÃOCom tantas características parecidas, o albopictus e o aegypti podem ser evitados usando as mesmas técnicas de controle de população. Uma pesquisa publicada no periódico Journal of Medical Entomology explica que as instituições públicas de saúde precisam ir além das técnicas de controle, como alertar a população sobre o cuidado com recipientes cheios de água e o uso de inseticidas, para vencer o mosquito.Segundo o estudo, o uso da genética pode ajudar na empreitada. Uma das técnicas apontadas é a da liberação de insetos com letalidade dominante. Nesse tipo de estratégia, os mosquitos masculinos são geneticamente modificados para que sua prole feminina não sobreviva. Vale notar que apenas os mosquitos fêmeas são vetores de vírus.Essa técnica já é usada no Brasil com sucesso no combate à dengue. A Biofábrica Moscamed, uma empresa que “produz” os mosquitos geneticamente modificados, revelou em 2015 que uma leva desses insetos solta em Piracicaba, no interior de São Paulo, conseguiu neutralizar 70% dos ovos do mosquito na cidade.Além disso, recentemente, a empresa Oxitec conseguiu reduzir a quantidade de mosquitos em uma área de Piracicaba com os insetos transgênicos. Em entrevista a EXAME.com em março de 2016, a companhia afirmou que a população de mosquitos em uma área tratada foi 82% menor quando comparada com um local que teve o mesmo tratamento. A Oxitec espera aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para comercializar o mosquito transgênico.Por Marina DemartiniFonte: Exame
17 de Abril de 2017, 19:49

Veja quais remédios não devem ser usados em casos de suspeita de dengue

Não à toa, alguns comerciais de remédios são acompanhados por um alerta: 'este medicamento é contra-indicado em casos de suspeita de dengue'. Isso porque, mesmo sabendo que a automedicação é um dos fatores que podem agravar as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, muitas pessoas ainda resistem a procurar um médico ao sinal dos primeiros sintomas.Os remédios que contêm dipirona, por exemplo, só devem ser utilizados após prescrição médica, pois podem diminuir a pressão ou causar manchas de pele. Segundo o médico e comentarista de saúde Luis Fernando Correia, determinadas substâncias podem ter o efeito contrário do esperado:- Remédios como alguns anti-gripais e a conhecida aspirina podem afetar a coagulação e aumentar o risco de sangramento em casos com desdobramento hemorrágico. Os anti-inflamatórios também não devem ser utilizados pelo risco de efeitos colaterais, como hemorragia digestiva e reações alérgicas.Até mesmo medicamentos à base de paracetamol, os mais usados para tratar a dor e a febre em casos de dengue, devem ser tomados rigorosamente nas doses e intervalos prescritos pelo médico. Caso seja ingerida uma dose muito alta, o paciente corre o risco de contrair uma lesão hepática.- Todas as doenças transmitidas pelo Aedes têm grau de periculosidade elevado. É importante que se procure imediatamente um atendimento especializado para acabar com qualquer dúvida em relação aos medicamentos que devem ser tomados - explica o médico, referindo-se à dengue, zika, chickungunya e febre amarela.Por: Fábio Perrota Jr.Fonte: Extra 
17 de Abril de 2017, 19:40

Regionais II e VI devem ter aumento de casos de chikungunya

Os moradores distribuídos pela porção leste de Fortaleza, nas regionais II e VI, devem redobrar os cuidados para se proteger da febre chikungunya. Enquanto a doença teve maior incidência até agora nos bairros a oeste da Capital, dados para o mês de abril já apontam a tendência de novos casos nestas regionais ao leste, onde a população se mostra vulnerável ao vírus, que tem se apresentado principalmente na forma de febre alta e dores nas articulações. De 141 notificações registradas nos primeiros sete dias do mês, 104 estiveram nas regionais II e VI, que abrangem bairros como Aldeota, Joaquim Távora, Cidade 2000, Cidade dos Funcionários, Jangurussu e Messejana.Em 2017, as regiões com maior incidência da chikungunya são encabeçadas pelos bairros Álvaro Weyne, Quintino Cunha, Joaquim Távora, Demócrito Rocha, Bonsucesso e Itaperi. É o que aponta o boletim mais atual da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), incluindo dados até o dia 7. Tanto em casos notificados como confirmados, a mancha que representa a infecção do vírus coincide com a porção oeste de Fortaleza. Fora da mancha, há ainda muita gente exposta ao primeiro contato com o vírus.Sem a primeira infecção, o corpo não adquire imunidade ao vírus. Por isso, é na região descoberta do mapa que o número de casos tende a aumentar, explica Antônio Lima, gerente da Célula de Vigilância Epidemiológica da SMS. No ano passado, de janeiro a março, a doença teve 549 confirmações. No primeiro trimestre deste ano, a Capital já teve 1.783 casos confirmados da doença, ou seja, o número mais que triplicou (224%) em relação ao mesmo período de 2016. Contando os sete primeiros dias de abril, o número chegou a 1.800.AtendimentoOs dados refletem no atendimento da saúde. Enquanto a dengue apresenta sintomas em aproximadamente 25% dos infectados, a chikungunya se manifesta em cerca de 70% a 80% dos infectados, estima Antônio Lima. Mas ele aponta que há subnotificação na Capital, principalmente na rede privada. “Os casos precisam ser obrigatoriamente confirmados. Mas você vê a Cidade toda em atendimento, não é possível o hospital dizer que não teve nenhum caso. Alguma coisa está deixando de ser informada”, observa o gerente da célula.Na rede pública, as unidades mais adequadas para o atendimento da população com sintomas são os postos de saúde. Como os sintomas podem persistir por meses, o cenário ideal é o acompanhamento em Saúde da Família, aponta Lima. Conforme o boletim da SMS, mais da metade das notificações de casos veio dos postos de saúde, totalizando uma média de 26 registros por dia em 2017. Em segundo lugar aparecem as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), com média de 11 notificações por dia. Em último vêm os hospitais municipais e estaduais, com média de sete e duas notificações por dia, respectivamente.Cidades com alta infestaçãoAltaneiraAlto SantoApuiarésAracoiabaArarendáAraripeBarbalhaBaturitéBoa ViagemCanindéCapistranoCaridadeFarias BritoForquilhaHidrolândiaHorizonteIndependênciaIracemaItapagéItapiúnaJijoca de JericoacoaraMarcoMassapêMilagresMucamboNova OlindaPacajusParambuPedra BrancaPenafortePereiroPiquet CarneiroQuixadáQuixeramobimReriutabaSão Luís do CuruSenador SáTamborilTejuçuocaVarjotaViçosa do Cearápor: THAÍS BRITOFonte: O Povo
11 de Abril de 2017, 15:01

Mãe do Lailtinho Brega morre no Ceará e humorista alerta para doença: 'Dengue mata'

Morreu na madrugada desta segunda-feira (10) a educadora Terezinha de Jesus Rocha Melo, mãe do humorista cearense Lailtinho Braga. Dona Terezinha morreu de dengue às 3h desta manhã, em casa no Bairro Bairro Henrique Jorge, em Fortaleza.Em post publicado em uma rede social, o humorista alerta para a gravidade dos casos que levam à morte. “Uma mulher, negra, forte, mãe, briguenta, educadora, religiosa e feliz, não aguentou as dores dessa doença. Nos deixou agora às 3h. Como? Dengue. Gente, dengue mata. Sério, mata.”De acordo com a atualização semanal das doenças de notificação compulsória, o Ceará registrou este ano 2.926 casos de dengue, 29 de zika e 2.677 de chikungunya, com um óbito. De acordo com a Sesa, o Estado tem 41 municípios com alta infestação (acima de 3,9%), 33 com média infestação (entre 1% e 3,9%) e 23 com índice satisfatório (menor que 1%).Cuidados dentro de casaO mosquito deposita os ovos em criadouros com água limpa e parada. Para impedir a desova, é fundamental eliminar todos os potenciais focos do mosquito transmissor. Se isso não for possível, é necessário que todos os locais de armazenamento de água sejam mantidos bem fechados e protegidos com telas e tampas adequadas. É importante ressaltar que o tratamento da água não substitui a necessidade de remoção e proteção dos potenciais criadouros do Aeds aegypti.Além desses cuidados, é preciso evitar que água de chuva se acumule sobre a laje e calhas, guardar garrafas sempre de cabeça para baixo, encher até a borda os pratinhos dos vasos de planta e eliminar adequadamente o lixo que possa acumular água, como pneus velhos, latas, recipientes plásticos, tampas de garrafas e copos descartáveis.Fonte: G1 - Ceará
11 de Abril de 2017, 14:39

Impacto da zika na América Latina pode chegar a US$ 18 bilhões, diz ONU

Relatório da ONU lançado nesta quinta-feira (6) afirma que os custos socioeconômicos para combater a epidemia da zika na América Latina e no Caribe entre 2015 e 2017 pode chegar a US$ 18 bilhões (cerca de R$ 22 bilhões a R$ 56 bilhões).O documento, preparado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e pela Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, tem como foco o Brasil, a Colômbia e o Suriname. As informações são da ONU News.A coordenadora de comunicação do Pnud em Nova York, Carolina Azevedo, falou que o relatório “concluiu que a epidemia de zika terá um impacto significativo a curto prazo, que é o que a gente está vendo agora, e também a longo prazo, tanto nas esferas econômica como social em toda a região”. “Além das perdas tangíveis para o Produto Interno Bruto (PIB) e para as economias, principalmente das que dependem muito do turismo, como é o caso do Caribe, há uma pressão muito grande sobre os sistemas de saúde e isso gera consequências a longo prazo. Isso também pode impactar todos os ganhos em desenvolvimento social e em conquistas no campo da saúde que a região tem visto ao longo das últimas décadas", explicou Carolina.Brasil terá maior gastoDe acordo com o relatório “Uma avaliação do impacto socioeconômica do vírus Zika na América Latina e no Caribe: Brasil, Colômbia e Suriname como estudos de caso”, o Brasil e as economias maiores da região devem ter a maior parcela do custo absoluto das perdas.O documento diz que, apesar do Brasil ser o país com maior gasto, os impactos mais severos serão sentidos pelas comunidades mais pobres e vulneráveis, como Haiti e Belize, que podem perder mais de 1% do PIB anual no caso de um alto nível de infecção. A região do Caribe sofrerá um impacto cinco vezes maior do que a América do Sul, por conta da perda de renda com o turismo internacional, que pode alcançar US$ 9 bilhões.“Os custos do Brasil seriam de cerca de 14% dos custos totais da região no cenário de taxa de transmissão de linha de base do Zika, 19% no cenário de taxa de transmissão média do Zika e 26% no cenário de taxa de transmissão elevada do Zika”, afirma o relatório.O relatório da ONU afirma que os sistemas de resposta ao vírus enfrentam vários desafios, como uma modesta capacidade de vigilância, sistemas de prevenção e de diagnóstico. Além disso, as persistentes disparidades sociais e a desigualdade na cobertura dos serviços de saúde tornam mais difícil que as respostas nacionais alcancem os grupos mais vulneráveis,” ressalta o documento.Combate ao mosquito"O estudo conclui que precisa haver um preparo em estratégias de resposta regionais e nacionais. Isso tem que ser fortalecido envolvendo também as comunidades. O custo econômico considerável da zika destaca a necessidade também de controlar o vetor, o mosquito Aedes aegypti de forma integrada e multissetorial, considerando que dengue, chikunguya e febre amarela são todos espalhados pelo mesmo tipo de mosquito."Os especialistas afirmaram que ao combater a proliferação do mosquito será possível prevenir não somente a zika mas outras epidemias. O Pnud e a Cruz Vermelha recomendam ainda que os programas de proteção e os sistemas de cuidados médicos devem ser adaptados e reforçados para alcançar às pessoas que mais precisam de ajuda, incluindo mulheres, meninas e pessoas com deficiências.A diretora da agência da ONU para a América Latina e o Caribe, Jessica Faieta, citou além da queda do PIB, perdas no setor do turismo e a pressão nos sistemas de saúde. Ela disse que as consequências de longo prazo do vírus da zika podem minar décadas de desenvolvimento social, avanços no setor da saúde e desacelerar o progresso em relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.O Pnud afirmou que a prevenção e a preparação para combater a zika e outras epidemias vão estar no topo da agenda da próxima reunião do G-20, em julho, que terá como foco emergências de saúde e gestão de crises.CaribeDas regiões analisadas, o relatório sugere que o Caribe será o mais afetado, com um impacto cinco vezes maior que o da América do Sul. “Mais de 80% das perdas potenciais em três anos devem-se à redução das receitas do turismo internacional, com o potencial de atingir um total de US$9 bilhões [cerca de R$ 28 bilhões] em três anos ou 0,06% do PIB anualmente”.Ainda segundo o relatório, embora tenha havido esforços, por parte dos três países contemplados no relatório [Brasil, Colômbia e Suriname], para controlar a propagação do vírus, as respostas nacionais enfrentaram “desafios”.Como forma de minimizar as perdas econômicas e sociais, o PNUD sugere mais investimentos em estratégias de prevenção, preparação e resposta nos âmbitos local, nacional e regional.“É nossa esperança que este relatório ajude a mobilizar as partes interessadas – governos, comunidades, organizações internacionais, a sociedade civil e o setor privado – para realizar avaliações do Zika específicas a cada país e que permita planejar com o objetivo de melhorar a saúde e o bem-estar de todas e todos”.EstimativasSegundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) até quatro milhões de pessoas serão infectadas na América Latina e no Caribe até o início de 2017. Além disso, a OMS afirma, com base em outras estimativas, que entre 80 a 117 milhões de pessoas e 1,5 milhão de mulheres grávidas em todo o mundo podem vir a ser infectadas antes de a primeira onda (2015 a 2017) da epidemia terminar.* Com informações da ONU News* Matéria atualizada às 18h09 para acréscimo de informaçõesEdição: Augusto QueirozFonte: Portal EBC
06 de Abril de 2017, 19:44

Infecção por chikungunya pode desencadear doença reumática crônica

Uma das hipóteses é a de que o vírus se alojaria na estrutura das articulações e estimularia o processo inflamatórioPessoas com predisposição para a artrite reumatoide podem desenvolver a doença, se desencadeada pela inflamação da febre chikungunya. A artrite reumatoide afeta as articulações e pode provocar rigidez, desgaste ósseo e uma série de incapacidades para as atividades diárias. A doença é crônica, progressiva e de natureza autoimune.A relação entre artrite reumatoide e chikungunya foi um dos temas da última edição do Congresso Brasileiro de Reumatologia, no ano passado. O número de casos de infecção pelo vírus chikungunya no Brasil, em 2016, apresentou um aumento de 594% na comparação com o ano anterior. Foram 265.554 notificações, ante os 38.240 casos registrados em 2015, segundo o Ministério da Saúde. O aumento do número de mortes também subiu, de 14 para 159 de um ano para o outro.Em 2017, a febre chikungunya continua a avançar no Brasil. Apenas no mês de janeiro foram notificados 300 casos da enfermidade em Minas Gerais, ante os 36 registrados no primeiro mês de 2016, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais.Assim como a dengue e o zika vírus, a febre chikungunya é transmitida por mosquitos Aedes aegypti contaminados. Mas, embora existam sintomas comuns entre as três doenças, como dor de cabeça, febre e manchas vermelhas na pele, a infecção por chikungunya se difere das demais pelas manifestações articulares, muitas vezes acompanhadas de inchaço.Artrite reumatoideA origem da artrite reumatoide está relacionada a vários fatores, como a predisposição genética, a exposição a fatores ambientais (entre eles o cigarro) e possíveis infecções. Nesses pacientes, o sistema imunológico produz substâncias inflamatórias em excesso, que atacam especialmente a membrana sinovial, uma estrutura que recobre as articulações, estimulando o processo inflamatório.Segundo a reumatologista Ieda Laurindo, existem várias hipóteses para explicar a conexão entre a febre chikungunya e a artrite reumatoide. "Uma das possibilidades é a de que o vírus se alojaria justamente na membrana sinovial, desencadeando a doença reumática”.TerapiasNão existe cura definitiva para a artrite reumatoide. Mas existem tratamentos capazes de controlar a doença, principalmente quando o diagnóstico é feito precocemente. Com isso, é possível diminuir a atividade da enfermidade, aliviar a dor e aumentar a qualidade de vida do paciente.Os medicamentos agem regulando a autoimunidade exagerada da doença. Os chamados medicamentos modificadores do curso da doença, conhecidos pelas siglas MMCDs, estão disponíveis em várias opções terapêuticas sintéticas e biológicas.Fonte: Diário do Nordeste - Vida
06 de Abril de 2017, 14:58

Número de casos de febre chikungunya no Ceará dobra em uma semana

Quase metade dos casos da doença ocorre em Fortaleza, segunda a Secretaria da Saúde.​O número de casos confirmados de febre chikungunya confirmados no Ceará em 2017 mais que dobraram no intervalo de uma semana. De acordo com boletim epidemiológico divulgada pela Secretaria da Saúde do Ceará nesta terça-feira (4), o estado tem 2.677 registros da doença; na semana anterior, eram 1.281 confirmações.A doença causou uma morte neste ano, em Fortaleza, em fevereiro. Ainda conforme a secretaria, quase metade dos casos da doença ocorrem na capital cearense, com 1.385 confirmações até a primeira semana de abril. Em Caucaia, são 397 casos.CHIKUNGUNYA E OS SINTOMASPor ser transmitido pelo mesmo vetor da dengue, o mosquito Aedes aegypti, e também pelo mosquito Aedes albopictus, a infecção pelo chikungunya segue os mesmos padrões sazonais da dengue. O risco aumenta em épocas de calor e chuva, mais propícias à reprodução dos insetos. Eles também picam principalmente durante o dia.Entre quatro e oito dias após a picada do mosquito infectado, o paciente apresenta febre repentina acompanhada de dores nas articulações.Outros sintomas, como dor de cabeça, dor muscular, náusea e manchas avermelhadas na pele, fazem com que o quadro seja parecido com o da dengue. A principal diferença são as intensas dores articulares.Em média, os sintomas duram entre 10 e 15 dias, desaparecendo em seguida. Em alguns casos, porém, as dores articulares podem permanecer por meses e até anos.De acordo com a OMS, complicações graves são incomuns. Em casos mais raros, há relatos de complicações cardíacas e neurológicas, principalmente em pacientes idosos. Com frequência, os sintomas são tão brandos que a infecção não chega a ser identificada, ou é erroneamente diagnosticada como dengue.Não há um tratamento capaz de curar a infecção, nem vacinas voltadas para preveni-la. O tratamento é paliativo, com uso de antipiréticos e analgésicos para aliviar os sintomas.Se as dores articulares permanecerem por muito tempo e forem dolorosas demais, uma opção terapêutica é o uso de corticoides.Fonte: G1 - Ceará
06 de Abril de 2017, 14:24

Pesquisadores dos EUA iniciam segunda fase de testes de vacina contra zika

Pesquisadores começaram a segunda fase de testes de uma vacina contra o vírus da zika, desenvolvida por cientistas do governo dos Estados Unidos, em um experimento que pode produzir resultados preliminares já no final de 2017.O Dr. Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (Niaid), disse nesta sexta-feira (31) que o experimento de 100 milhões de dólares já foi financiado e irá seguir adiante, independentemente dos 7 bilhões de dólares em cortes no orçamento dos Institutos Nacionais da Saúde dos EUA (NIH) propostos pelo governo do presidente dos EUA, Donald Trump, durante os próximos 18 meses.Em entrevista coletiva a repórteres, Fauci não comentou sobre as propostas de cortes de gastos porque ainda não é certo qual será o orçamento real.O diretor dos NIH, Dr. Francis Collins, deve conversar com Trump posteriormente nesta sexta-feira. “Irei com certeza conversar com Francis Collins quando ele voltar da Casa Branca”, disse Fauci.O zika tipicamente causa sintomas leves, mas quando o vírus infecta uma mulher grávida, ela pode passa-lo ao feto, causando uma variedade de más-formações congênitas, incluindo microcefalia, no qual a cabeça do bebê nasce menor do que o normal.Fauci disse que a atual candidata à vacina contra o zika passou por barreiras preliminares de segurança e agora irá entrar em testes de eficácia, que irão ocorrer em duas fases.A primeira fase irá continuar testando a segurança e avaliando a habilidade da vacina de estimular o sistema imunológico para desenvolvimento de anticorpos na luta contra o zika. Ela também irá testar diferentes dosagens, para ver qual funciona melhor.A segunda fase, marcada para começar em junho, irá tentar determinar se a vacina pode realmente prevenir a infecção do zika.Diversas companhias estão desenvolvendo vacinas contra o zika, incluindo a Sanofi SA, GlaxoSmithKline Plc e Takeda Pharmaceuticals.No estudo do Niaid, pesquisadores buscam alistar ao menos 2.490 voluntários saudáveis em áreas com transmissões ativas possíveis ou confirmadas do zika por mosquitos. Isso inclui partes continentais dos Estados Unidos, Porto Rico, Brasil, Peru, Costa Rica, Panamá e México. Eles irão receber a vacina ou um placebo e serão monitorados por dois anos.Caso pessoas suficientes sejam expostas ao vírus, Fauci disse que podem receber um sinal de eficácia tão cedo quanto o fim deste ano. Os testes são esperados para serem finalizados em 2019. Fauci disse que o governo já está em discussões com companhias farmacêuticas que irão compartilhar os custos do estágio final de testes e lidar com a fabricação.O zika é primariamente transmitido por mosquitos, mas também pode ser transmitido sexualmente. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, 5.182 pessoas em áreas continentais dos EUA foram infectadas pelo Zika localmente ou em viagens a áreas onde o vírus se espalha. Outros 38.303 casos foram relatados em territórios norte-americanos, incluindo Porto Rico.Fonte:G1
04 de Abril de 2017, 18:15

Confirmações de chikungunya no Ceará aumentam 722% em menos de dois meses

As confirmações de casos de febre chikungunya, doença transmitida pelo mosquito aedes aegypti — assim como dengue e zika —, aumentaram 722% no período entre a primeira semana de fevereiro e a penúltima semana de março, de acordo com boletim de arboviroses da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa). O número sobe de 227 para 1.867. Do total, 1.024 são registrados em Fortaleza. As notificações de casos tiveram crescimento de 546%, aumentando 1.341 para 8.667.Dos casos confirmados, 67,7% concentraram-se nas faixas etárias entre 20 e 59 anos e 61,4% são mulheres.De acordo com a coordenadora de Promoção e Proteção à Saúde da Secretaria da Saúde (Sesa), Daniele Queiroz, o aumento se dá devido ao período de sazonalidade da doença, relativo ao aumento de chuvas, calor e umidade. Segundo ela, a suscetibilidade da população à chikungunya, tendo em vista que é uma doença recente, também é uma das razões para o aumento significativo de casos.Para Daniele, no entanto, a situação do Estado ainda é de “baixo risco”. “A incidência é de 93,7 casos suspeitos por 100.000 habitantes”, detalha. Ela cita que existem municípios apresentando cenário de alto risco, com incidências acima de 300 casos por 100 mil habitantes. De acordo com boletim da Sesa, os municípios de Aracoiaba, Independência, Ocara, Groaíras, Canindé, Caucaia e Cascavel estão nessa situação. As cidades de Baturité e Pentecoste preocupam, apresentando incidência maior de casos do que a taxa de alto risco.NotificaçãoO alto número de notificações, de acordo com a coordenadora, é devido a “alta incidência de várias viroses que podem ser confundidas pela sua sintomatologia”. “A notificação é feita diante da simples suspeita. Para confirmar deve-se utilizar o critério laboratorial ou por vínculo com outros casos que tiveram confirmação laboratorial, e ainda pela clínica”, esclarece a coordenadora.MedidasAinda segundo Daniele, “a Sesa dispõe de um plano de Vigilância e Controle das Arboviroses, lançando no final do ano passado, para auxiliar as Coordenadorias Regionais de Saúde e municípios nas ações de enfrentamento”. “É realizado um monitoramento semanal da situação entomoepidemiológica dos municípios, gerando cartas de alerta a todos os que se encontrarem em situação de risco aumentado para arboviroses. Além de um Comitê Estadual de Enfretamento do Aedes aegypti com representantes das Secretarias de Governo e outros órgãos”, cita.Fonte: O Povo
04 de Abril de 2017, 18:06

O desafio do zika no transplante de órgãos

PESQUISA DE uma equipe da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e do Hospital de Base de São José do Rio Preto motivou editorial da revista “American Journal of Transplantation” deste mês. O trabalho relata identificação dos primeiros casos de infecção pelo vírus da zika relacionados a portadores de transplante de órgãos, inéditos na literatura médica mundial em relação a este vírus.Esses dois artigos, destaca a revista, ressaltam a necessidade de melhores estratégias no controle das consequências imunológicas do transplante de órgãos.O professor Maurício Nogueira e colaboradores da faculdade e do Hospital de Base diagnosticaram o vírus em quatro pacientes portadores de órgãos transplantados, dois em receptores de rim e dois em receptores de fígado.Os pacientes não apresentaram erupções vermelhas, conjuntivite ou sintomas neurológicos. Foram hospitalizados por apresentar função anormal nos enxertos, redução do número de plaquetas que poderiam resultar em hemorragias graves e superinfecção bacteriana.O editorial diz que a expansão do zika nos EUA estabelece a necessidade de cuidados especiais com pacientes imunocomprometidos como os transplantados. Testes detectam no sangue e na urina o zika em portadores sintomáticos após duas semanas.Comparados com hospedeiros normais, a persistência do vírus em transplantados é mais prolongada e a infecção pelo zika mais severa.Folha de São Paulo, 18/03/2017
23 de Março de 2017, 11:29