O desafio do zika no transplante de órgãos

PESQUISA DE uma equipe da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e do Hospital de Base de São José do Rio Preto motivou editorial da revista “American Journal of Transplantation” deste mês. O trabalho relata identificação dos primeiros casos de infecção pelo vírus da zika relacionados a portadores de transplante de órgãos, inéditos na literatura médica mundial em relação a este vírus.Esses dois artigos, destaca a revista, ressaltam a necessidade de melhores estratégias no controle das consequências imunológicas do transplante de órgãos.O professor Maurício Nogueira e colaboradores da faculdade e do Hospital de Base diagnosticaram o vírus em quatro pacientes portadores de órgãos transplantados, dois em receptores de rim e dois em receptores de fígado.Os pacientes não apresentaram erupções vermelhas, conjuntivite ou sintomas neurológicos. Foram hospitalizados por apresentar função anormal nos enxertos, redução do número de plaquetas que poderiam resultar em hemorragias graves e superinfecção bacteriana.O editorial diz que a expansão do zika nos EUA estabelece a necessidade de cuidados especiais com pacientes imunocomprometidos como os transplantados. Testes detectam no sangue e na urina o zika em portadores sintomáticos após duas semanas.Comparados com hospedeiros normais, a persistência do vírus em transplantados é mais prolongada e a infecção pelo zika mais severa.Folha de São Paulo, 18/03/2017
23 de Março de 2017, 11:29

Pequenas empresas criam tecnologias para combater vírus da Zika

Pequenas empresas criam tecnologias para combater vírus da ZikaAs estratégias de combate ao vírus Zika e ao mosquito Aedes aegypti devem ganhar reforços nos próximos meses. Um grupo de seis pequenas empresas paulistas desenvolverá, com apoio da FAPESP e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), repelentes à base de novos compostos naturais e armadilhas para captura do Aedes, entre outras soluções, a fim de aumentar as barreiras contra o vetor da Zika, dengue, chikungunya e da febre amarela.As empresas foram selecionadas em uma chamada lançada pela FAPESP e a Finep, no âmbito do acordo FAPESP e MCTI/FINEP/FNDCT – Subvenção Econômica à Pesquisa, por meio do PAPPE Subvenção, com objetivo de selecionar propostas de projetos que visem ao desenvolvimento de tecnologias para produtos, serviços e processos voltados ao combate do vírus Zika e do mosquito Aedes aegypti. O resultado da chamada foi anunciado no final de janeiro.As propostas seguiram as normas do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP.“Já vínhamos desenvolvendo o produto, independente de a nossa proposta ser selecionada na chamada. Mas, agora, com recursos da FAPESP e da Finep, o desenvolvimento deverá ser muito mais rápido”, disse Bruno de Arruda Carillo, diretor da DC Química, à Agência FAPESP.A empresa, localizada em São Caetano do Sul, pretende viabilizar a aplicação do ramnolipídeo – um composto produzido por bactérias, como as Pseudomonas aeruginosa – como repelente.A substância já era conhecida como um biossurfactante – um composto de origem natural que possui a capacidade de reduzir a tensão superficial (elasticidade da superfície) de líquidos e emulsionar compostos com diferentes polaridades (eletronegatividade), as polares e as apolares. É utilizado na indústria, principalmente na de produtos de limpeza, como detergentes, por sua capacidade emulsionante – de unir substâncias que não se misturam, como a água e o óleo–, e na de cosméticos, entre outras.Nos últimos anos, contudo, começaram a surgir estudos relatando que a molécula também demonstra ter ação larvicida e repelente.A fim de comprovar essas propriedades propaladas do ramnolipídeo, os pesquisadores da empresa realizaram testes preliminares. Os resultados dos testes da substância como larvicida para matar larvas do mosquito Aedes aegypti, entretanto, não foram satisfatórios. Com base nessa constatação, a empresa decidiu testar a sua aplicação como repelente.“Fizemos alguns testes iniciais e os resultados foram muito bons. Estimamos que em dois anos consigamos disponibilizar amostras para empresas interessadas a fim de viabilizar a produção de repelentes à base desse composto”, disse Carillo.Tempo de repelênciaUm dos maiores desafios tecnológicos para o uso do ramnolipídeo como repelente, de acordo com o pesquisador, é fazer com que apresente ação de repelência pelo mesmo período que as matérias-primas convencionais.A molécula sintética DEET (N,N-Dietil-m-toluamida) usada na composição da maioria dos repelentes comercializados hoje no mercado brasileiro tem ação de duas horas. Já a icaridina – substância derivada da pimenta, que começou a surgir na formulação de repelentes recém-lançados no Brasil – pode ter efeito de até 10 horas, caso a temperatura não seja superior a 30 °C e a pessoa não tenha entrado em contato com água.O problema é que o DEET é tóxico e, por isso, só pode ser reaplicado três vezes ao dia, o que possibilita uma proteção total de até seis horas. Já a icaridina ainda é muito cara, comparou Carillo.“Ainda não conseguimos atingir o tempo mínimo de repelência que desejamos, que é de duas horas. Mas estimamos que conseguiremos atingir essa meta por meio de mudanças na formulação do produto, que deverá ser um líquido”, afirmou.Já a Nanomed, uma spin-off surgida na USP, pretende fazer com que o óleo essencial do cravo-da-índia (Eugenia caryophyllata) tenha ação de repelência de oito horas.Para isso, os pesquisadores da empresa pretendem encapsular a molécula em partículas na escala nanométrica (da bilionésima parte do metro) para que a sua liberação seja controlada. Dessa forma, será possível assegurar a atividade de repelência por oito horas, o que não é possível hoje por meio das formulações convencionais.“O óleo essencial do cravo-da-índia é uma substância muito volátil [transforma-se facilmente em gás ou vapor quando exposta ao ar]. Por isso não dura muito tempo em condições normais de temperatura”, explicou Amanda Luizetto dos Santos, diretora da Nanomed.Os repelentes caseiros à base de uma mistura de óleo essencial de cravo-da-índia e álcool, por exemplo, têm ação de repelência de apenas 30 minutos, disse a pesquisadora.A fim de atingir as oito horas de ação de repelência almejada, a empresa pretende encapsular o composto natural em nanopartículas que romperiam gradativamente, liberando o produto de forma controlada e modulada – a exemplo das nano e micropartículas produzidas hoje para encapsular fragrâncias de amaciantes e produtos cosméticos.“Nosso objetivo é tanto disponibilizar o ativo encapsulado como matéria-prima, como também desenvolver produtos finais à base dele, em creme e aerossol”, afirmou Santos.Armadilha para mosquitoEm vez de repelir o Aedes aegypti, a empresa Bio Controle, sediada no município de Indaiatuba, pretende capturar e prender as fêmeas do mosquito – principalmente as grávidas – em armadilhas para inibir a reprodução e a proliferação do mosquito.Para isso, pretende utilizar compostos químicos sintéticos, como ácidos graxos, que mimetizam os odores dos humanos, além de luz com intensidade e cores específicas, para atrair os mosquitos para as armadilhas.A ideia é que, ao se aproximar das armadilhas atraídos pelo odor exalado pelos compostos químicos sintéticos liberados de forma controlada, os mosquitos fiquem grudados em uma superfície adesiva que será colocada em torno dos dispositivos.“Já desenvolvemos e comercializamos uma série de armadilhas para o monitoramento e coleta em massa de diversos insetos que atacam culturas agrícolas utilizando feromônios [hormônios sexuais] sintéticos”, disse Mário Yacoara de Menezes Neto, diretor da empresa.“Nosso objetivo, agora, é testar outros compostos químicos sintéticos como atrativos em armadilhas para capturar o Aedes aegypti de forma mais simples e prática”, afirmou.A empresa pretende, com o apoio da FAPESP e da Finep, desenvolver protótipos de armadilhas que possam ser usadas tanto pelos agentes de saúde pública, como também pela população em geral.“Como as armadilhas deverão ser atóxicas, não necessitariam de uma regulamentação específica para serem comercializadas”, estimou Menezes.Por sua vez, a empresa Barth/Inovatech pretende desenvolver um teste de diagnóstico sorológico rápido e de baixo custo para o Zika vírus, utilizando a plataforma Elisa, para disponibilizá-lo, principalmente, ao Ministério da Saúde.Para atingir esse objetivo, os pesquisadores vinculados à empresa estão modificando algumas técnicas de biologia molecular utilizadas no desenvolvimento dos testes de diagnóstico existentes hoje, que elevam o custo do processo.“Um kit de diagnóstico de Zika vírus para 100 amostras desenvolvido por uma empresa estrangeira custa no Brasil hoje entre R$ 4 mil e R$ 6 mil. Pretendemos desenvolver um teste para esse mesmo número de amostras que custe entre R$ 1,2 mil e R$ 1,7 mil”, disse Danielle Bruna Leal de Oliveira Durigon, pesquisadora responsável.A chamada esteve aberta a pesquisadores vinculados a microempresas, empresas de pequeno porte, pequenas empresas, médias empresas brasileiras, sediadas no Estado de São Paulo.Fonte: https://goo.gl/qRydyH
16 de Março de 2017, 11:14

Confirmada primeira morte por febre chikungunya

Confirmada primeira morte por febre chikungunyaA Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) confirmou o primeiro óbito por febre chikungunya neste ano no Ceará. O dado está presente na Atualização Semanal das Doenças de Notificação Compulsória, divulgado no dia 7. De acordo com o relatório, o óbito foi registrado em Fortaleza, município com o maior número de casos da doença no Estado em 2017, já somando 367 ocorrências. A fatalidade vinha sendo investigada pelo órgão estadual desde fevereiro. A Sesa, contudo, não forneceu informações sobre a vítima.No total, segundo o documento, 661 pessoas foram diagnosticadas com a arbovirose no Estado até agora. Em relação à atualização publicada na semana anterior, houve aumento de 57% na quantidade de casos confirmados. Dezenove cidades cearenses registraram ocorrências da doença. Além de Fortaleza, Pentecoste e Baturité são os municípios mais afetados, com 110 e 106 casos, respectivamente.O óbito confirmado nesta semana junta-se às 26 mortes registradas em decorrência da febre de chikungunya no ano passado, segundo o último boletim epidemiológico da Sesa, datado de 24 de fevereiro. O gerente da Célula de Vigilância Ambiental e Riscos Biológicos da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Nélio Morais, afirma que a doença tem provocado mais óbitos que o esperado no Estado e no restante do País, o que torna o cenário epidemiológico previsto para 2017 preocupante."Nos outros países, a chikungunya não tem caracterização de óbito tão forte. No Brasil, não sabíamos qual seria a resposta clinica, mas agora vemos um número de óbitos além da expectativa imaginada", diz.Segundo ele, em Fortaleza, algumas áreas, localizadas nas Regionais 1, 3 e 4 concentram a maior parte dos casos. São os bairros Montese, Antônio Bezerra, Barra do Ceará, Cristo Redentor e Álvaro Weyne. Essas regiões vem sendo os principais alvos das ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.O gerente da célula da SMS destaca que, neste ano, diante das chances de o Ceará ter chuvas dentro da média histórica, com maiores volumes que os registrados nos últimos anos, a vigilância deve ser dobrada. "Nesse período, a chance de formar criadouros em depósitos com acúmulo de água é grande. É tanto que nossa segunda maior epidemia de dengue foi em 2011, quando tivemos um dos melhores invernos em Fortaleza".Por conta dos altos riscos de proliferação do Aedes aegypti, a SMS está intensificando algumas ações de combate ao mosquito. Um dos trabalhos promovidos é a Operação Quintal Limpo. O gerente afirma que ação visa à conscientização da população sobre a necessidade de limpar os quintais das casas, recolhendo objetos descartados que podem se tornar criadouros.Visitas educativasOutra medida é realização da Operação Foco a Foco, que consiste em visitas educativas a imóveis considerados vulneráveis ao desenvolvimento de focos. "Selecionamos os 100 mil imóveis mais problemáticos da cidade nos últimos anos. São imóveis com cacimbas e caixa d'água não vedadas, rampas de lixo nas proximidades, e fizemos visitas permanentes para sensibilizar os proprietários. Alguns até ficaram incomodados, mas eles precisam entender"."Enquanto não resolvermos o componente educacional, não vamos resolver o problema. Não tem agente de endemias que dê conta. A população tem que criar consciência ou vamos pagar caro por isso", diz Morais.
14 de Março de 2017, 17:40

Universitários fazem repelentes para combater o Aedes aegypti; veja receita

Universitários aprenderam a produzir um repelente com ingredientes naturais para se proteger dos mosquitos e que qualquer pessoa pode fazer em casa. A expectativa é de que se gaste apenas R$ 3 para a produção de um frasco de repelente de aproximadamente 600 ml. A base para a loção é o cravo-da-índia, especiaria conhecida por afastar insetos de todo o tipo. Dos principais mosquitos repelidos pelo produto estão o Aedes aegypti, o Culicidae (Mosquitos e pernilongos) e o Trypanosoma Cruzi (Barbeiro). Além disso, a receita conta também com ingredientes como óleo de amêndoas e álcool de cereais, todos ingredientes de baixo custo. A validade do repelente também é fácil de ser percebida - seu tempo de uso é determinado através do aroma do cravo-da-índia, ou seja, enquanto o aroma do cravo permanecer, o produto pode ser utilizado. São aproximadamente dois meses.A receita foi trazida pelas técnicas de laboratório Suseanne Kedma e Estefane Santos, com supervisão da professora Renata Andrade, para a Mostra de Responsabilidade Social da Faculdade DeVry | FBV. As técnicas explicam que a ideia surgiu após notarem diversas áreas de risco para contaminação pelo Aedes aegypti na região. Confira a receita do repelente natural:INGREDIENTES:- 1/2 litro de álcool de cereais- 10g de cravo-da-índia- 100ml de óleo de amêndoas- 1 frasco escuro para a misturaMisture o álcool de cereais com os cravos em um frasco escuro (que não deixe a luz passar) e bem fechado. Deixe a solução descansando por quatro dias, durante esse tempo, agite duas vezes por dia, de manhã e à noite. Após esse período, coe a solução, descartando os cravos. Em seguida acrescente o óleo de amêndoas e agite bem.MODO DE USO:Passe uma pequena quantidade nas regiões expostas do corpo.RECOMENDAÇÕES:- Não é recomendado o uso por pessoas com alergia a qualquer um dos componentes da fórmula.- Não aplicar em pele lesionada, evitar contato com os olhos, boca e nariz.- Não ingerir.- Em caso de reação adversa, procurar imediatamente um médico.- Produto natural, sem processos farmacológicos ou testes laboratoriais.- Por conter óleo de amêndoas em sua composição, pode causar queimaduras caso a pessoa se exponha ao sol logo em seguida.Fonte: https://goo.gl/ptIZsm
07 de Março de 2017, 16:39

Estudantes criam pesquisa para o combate ao zika e concorrem a prêmio internacional

Estudantes criam pesquisa para o combate ao zika e concorrem a prêmio internacional Após dois estudantes de uma escola pública do interior do Ceará identificarem uma proteína capaz de combater a proliferação do zika vírus no organismo, o trabalho científico foi selecionado para participar da maior feira internacional de pré-universitários, em Los Angeles, nos Estados Unidos. A reportagem é da Rádio Tribuna Band News FM. A pesquisa de Gabriel Moura, de 19 anos e Myllena Crystina, de 17, moradores de Iracema, no interior do Ceará, seria mais um passo para a cura da doença, que está ligada aos casos de microcefalia em recém-nascidos de todo o país. Gabriel explica que ao estudarem sobre a dengue tipo 2 e o zika, eles identificaram que os remédios disponíveis para minimizar os sintomas das doenças não agiam de forma conjunta para as duas enfermidades. E por isso foi preciso realizar alterações nos medicamentos. “A gente percebeu que os fármacos da dengue não funcionam no zika, foi daí que a gente começou a trabalhar com a química computacional, onde a gente pegou uma molécula e começamos a modificar essa molécula de algumas formas. Depois disso a gente fez um teste com a proteína responsável pela proliferação do vírus no organismo. A gente ficou muito animado porque é uma possível esperança para a cura da doença”. Todo o estudo pode servir como base para outros pesquisadores devido às poucas informações que ainda se tem sobre a doença. A pesquisa, que começou no fim de 2015, foi selecionada para participar da Feira Internacional de Ciências e Engenharia, a Fair Intel Isef 2017, que acontece em maio, nos Estados Unidos. Os estudantes podem ganhar bolsas de estudos e financiamentos para continuar com o projeto. No Ceará, de acordo com o boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde do Estado, desde o início do surto em 2015, 152 casos de microcefalia relacionados ao zika vírus foram confirmados. Fonte: https://goo.gl/TFD2D5
23 de Fevereiro de 2017, 12:43

Projeto reduz casos de dengue em 86% em cidade australiana

Projeto reduz casos de dengue em 86% em cidade australiana Um programa de combate à dengue baseado nas informações dos pacientes infectados e na aplicação de inseticida conseguiu o notório índice de 86% de redução de casos na cidade de Cairns, no norte da Austrália. O trabalho foi apresentado à imprensa no encontro anual da Associação Americana para o Progresso da Ciência (AAAS, na sigla em inglês), em Boston, e publicado nesta sexta (17) na revista "Science Advances". O segredo, segundo os cientistas, é o bom uso da informação fornecida pelos pacientes. No formulário de notificação da dengue às autoridades, preenchido pelo médico, consta também um telefone para contato. O PROGRAMA PREVIA QUE, após a confirmação do diagnóstico, um enfermeiro ou agente de saúde ligaria para o paciente e tentaria resgatar os lugares onde ele passou mais tempo nos dias que antecederam o início dos sintomas. Quando um local era associado a múltiplos casos, uma equipe da cidade fazia uma aplicação de um tipo de inseticida que tem efeito residual de longa duração, a molécula lambda-cialotrina, da classe dos piretroides. O alvo é o Aedes aegypti, principal vetor da doença e altamente adaptado a centros urbanos. Os cientistas apontaram que, se houvesse resistência dos insetos a essa classe de inseticidas, ainda seria possível recorrer a outras, como a dos carbamatos. A PROPORÇÃO DE PESSOAS infectadas em locais de risco ("hotspots") era de 37% em áreas não tratadas. Depois da aplicação do inseticida, caiu para 5%. Nos pontos onde houve aplicação, a incidência permaneceu baixa por mais de cem dias. A substância foi aplicada em locais mais escuros, onde provavelmente os mosquitos se escondem, afirma o autor do trabalho Scott Ritchie, da Universidade James Cook, na Austrália. Alguns esconderijos possíveis são embaixo de móveis, dentro de armários, cantos pouco iluminados, adjacências de muros e paredes úmidas. A aplicação do inseticida leva de 20 a 30 minutos e também é feita em todos os imóveis em um raio de 100 m do ponto identificado pelo programa. Um dos problemas do método, afirma Gonzalo Vazquez-Prokopec, cientista da Universidade Emory e autor do estudo, é o custo do inseticida –mais caro que os demais– e de pessoal treinado para aplicá-lo, já que a ação prevista leva mais tempo. Outro porém é que seria inviável fazer o mesmo em uma cidade do tamanho de São Paulo, diz Vazquez-Prokopec. "Pode ser possível desenvolver, após uma análise adequada dos dados, uma abordagem em áreas de alto risco, onde há historicamente uma alta incidência de dengue", disse à Folha. Mesmo na cidade de Cairns, que tem cerca de 150 mil habitantes, os agentes não conseguiram fazer a aplicação em todos os locais planejados. Vazquez-Prokopec afirma que ainda é necessário mais investimento em pesquisa para que essas e outras medidas de combate ao vetor consigam ser aplicadas em larga escala. Uma das metas é reduzir o tempo médio de aplicação para dez minutos. UM OUTRO PROJETO NO QUAL Richie está envolvido é o uso da bactéria Wolbachia para controlar a proliferação dos Aedes. O mosquito infectado por ela tem sua capacidade reprodutiva piorada e também passa a bactéria para a prole. Para os autores, o futuro do combate às arboviroses como dengue, zika e chikungunya terá uma integração de métodos que vão desde o controle do vetor e dos focos até a vacinação da população. Eles não deixam de puxar brasa para sua sardinha, claro: a intervenção obteve um índice de até 96% de proteção, dependendo de como é feita a análise. Os testes com vacinas mostram uma proteção de cerca de 70%, nos melhores casos, para alguns sorotipos do vírus da dengue. No caso da zika, as vacinas ainda estão em estágio inicial de desenvolvimento.. As ações ocorreram entre 2008 e 2009 mas só foram analisadas recentemente, graças a um financiamento obtido por Vazquez-Prokopec. Segundo ele, existe uma heterogeneidade na distribuição e na dinâmica de surgimento de novos casos –e esse seria um ponto chave no combate às epidemias. As ações de combate poderiam ser menores, mais cirúrgicas e com um efeito maior, se houvesse estudo adequado. Como Cairns se tornou uma espécie de "hub", ou distribuidor, da doença, para cidades vizinhas menores, ações direcionadas teriam impacto maior do que só a redução da incidência local. Fonte: https://goo.gl/mDoonL
21 de Fevereiro de 2017, 11:11

Cientistas correm em busca da vacina contra zika

Cientistas correm em busca da vacina contra zika Desde que a epidemia de zika foi declarada emergência de saúde pública no Brasil, em novembro de 2015, a comunidade científica internacional vem unindo esforços para desenvolver uma vacina eficaz contra o vírus. Hoje, existem 39 projetos em andamento, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre as iniciativas mais avançadas, cinco estão na chamada fase 1, a dos testes em humanos. Se os resultados forem positivos nessa etapa, a imunização passará por mais duas amplas rodadas de testes, com número maior de participantes, até atingir a possibilidade de ser liberada para a população. No Brasil, a grande aposta do Ministério da Saúde é uma vacina desenvolvida pelo Instituto Evandro Chagas, do Pará, em parceria com a Universidade Medical Branch do Texas, nos Estados Unidos. A previsão é de que os testes da vacina brasileira em humanos comecem ainda este semestre. O processo que começa com a criação e termina com a disponibilização de uma vacina dura, em média, dez anos; mas é provável que a da zika leve menos, já que vários países estão numa corrida por ela. Hoje já existem vacinas contra dengue e febre amarela. Estudos sobre a imunização contra a chicungunha, outra doença transmitida pelo Aedes, estão menos adiantados. DOENÇA TEM APENAS UM TIPO DE VÍRUS Um dos pontos que tornam essa tarefa menos complexa é que existe somente um tipo de vírus da zika, ao contrário de outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, como a dengue, que tem quatro cepas. — Tenho praticamente certeza de que desenvolveremos uma vacina mais rapidamente. Devemos avançar, nos próximos anos, para a obtenção de uma imunização ou até de mais de uma — afirma Wilson Savino, diretor do Instituto Oswaldo Cruz e membro do Gabinete de Enfrentamento à Emergência em Saúde Pública da Fiocruz. Uma vez consolidada pelo Instituto Evandro Chagas, essa vacina terá tanto seus estudos clínicos quanto sua fabricação realizados pela Fiocruz. O projeto pretende criar uma vacina com o vírus atenuado, o mesmo princípio da imunização contra a febre amarela, que tem eficácia de mais de 95%. Segundo Savino, uma das dificuldades para alcançar uma vacina segura e eficaz é que ainda não se conhece com exatidão a resposta do corpo humano ao vírus da zika. Não se sabe, por exemplo, se os indivíduos ficam imunes a uma segunda infecção e se a resposta imunológica à dengue pode influenciar a da zika, ou vice-versa. Outro ponto fundamental é que, enquanto grande parte das outras vacinas é contraindicada para grávidas, a da zika precisa ser especialmente aplicada nesse grupo, para evitar o risco de a infecção afetar o desenvolvimento cerebral do feto. O primeiro projeto de vacina da zika a ter liberação para iniciar testes em humanos, em julho do ano passado, foi o elaborado pela farmacêutica americana Inovio em parceria com a empresa sul-coreana GeneOne Life Sciences. Consiste em usar um fragmento do DNA do vírus, criado em laboratório, para estimular uma resposta imunológica. Esse método é considerado o futuro da vacinação mundial. Segundo as empresas parceiras, a previsão é de que a fase 1 seja concluída no fim deste ano ou no início de 2018. Outro projeto promissor é o desenvolvido pela Sanofi Pasteur — responsável pela primeira vacina contra a dengue — em conjunto com centros de pesquisa da Universidade de Harvard, nos EUA. Também na fase 1, essa iniciativa tem o objetivo de criar uma imunização à base do vírus da zika inativado, eliminando o risco de efeitos colaterais. Essa técnica é utilizada para as vacinas contra poliomielite e hepatite A, por exemplo. Alguns cientistas também buscam uma imunização eficaz contra o chicungunha. São dois projetos em curso até o momento, ambos fora do país. Ano passado, o número de casos dessa doença no Brasil superou o da zika. PARANÁ APLICA VACINA CONTRA DENGUE Já a dengue, velha conhecida dos brasileiros, encontrou uma adversária à altura há pouco mais de um ano, quando a primeira vacina contra a doença foi aprovada no país. Criada pela Sanofi, a imunização feita em três doses começou a ser aplicada no Paraná, em agosto de 2016. Disponível na rede pública do estado, a vacina tem eficácia de 74% já na primeira dose. No entanto, a cobertura ainda está muito aquém do desejado. A meta era vacinar 80% do público-alvo — pessoas entre 15 e 27 anos —, mas apenas 40% compareceram aos postos. No restante do país, a vacina só está disponível em clínicas privadas. — Traçamos uma meta ousada. Mas acho que a cobertura foi satisfatória, em especial por se tratar de uma vacina inédita e de o início da campanha ter sido no inverno, quando há poucos casos — analisa Júlia Cordellini, diretora do centro de epidemiologia da Secretaria de Saúde do Paraná. A segunda dose da vacina começará a ser dada em 3 de março, e o próximo reforço está programado para setembro. O último grande surto de dengue no Brasil ocorreu em 2013, quando mais de dois milhões de pessoas foram afetadas. E, mesmo sem grande alarme, os números continuaram altos desde então. No ano passado, o Ministério da Saúde recebeu quase 1,5 milhão de notificações. Fonte: https://goo.gl/n23B49
14 de Fevereiro de 2017, 11:59

Saiba quanto tempo vivem e quanto voam mosquitos da dengue, zika e chikungunya

Saiba quanto tempo vivem e quanto voam mosquitos da dengue, zika e chikungunya Arboviroses são doenças causadas por vírus que são transmitidos por insetos como o Aedes aegypti para os seres humanos ou mesmo para os animais. É o caso da dengue, zika, chikungunya e a febre amarela. Pesquisadores brasileiros do Instituto Evandro Chagas, no Pará, que estudam doenças tropicais, já conseguiram encontrar mais de 100 tipos de vírus que podem ser transmitidos por insetos, num ciclo que ocorre nas matas entre os mosquitos silvestres e animais como, por exemplo, os macacos. É o que explica o entomologista Hamilton Monteiro. “Desses arbovírus comprovados, só 34 acometem o homem, que infectam o homem, porque tem vírus que estão na natureza em equilíbrio com os animais, que são bons hospedeiros de vírus, que não morrem... aves, pacas, tatus, cotias. A gente consegue porque nós vamos lá dentro da mata capturar os mosquitos e capturar esses animais. De alguns animais a gente consegue isolar esses vírus, não quer dizer que vai ser admitido para o homem. Mas o homem, quando entra na mata, ele está suscetível a contrair talvez um arbovírus desse”, disse o pesquisador do Instituto Evandro Chagas. Segundo Hamilton, os mosquitos transmissores de doenças podem viver por muito tempo: “O mosquito, depois de infectado, fica infectado pelo resto da vida dele! Em laboratório nós já conseguimos ficar com ele aqui no Evandro Chagas por 72 dias. Tem outros relatos na literatura de que chega até a 90 dias, três meses. Na natureza não se pode precisar por quanto tempo ele vive. Uma média de 45 dias, com certeza, ele vai viver.“ E os mosquitos selvagens voam longe, até 15 km na natureza. No caso do mosquito urbano, também ocorre a transmissão transavoriana, ou seja, ele também pode transferir os vírus para os descendentes através dos ovos. E não acaba aí. Os ovos podem permanecer por até 400 dias aguardando um ambiente propício para eclodirem, como explica Hamilton Monteiro: “Quando vem muita chuva, propiciam-se muitos criadouros para esse mosquito e mais probabilidade de vírus. Daí um vírus que está circulando naquela área pode se infectar e forma uma epidemia. A melhor maneira de prevenir as doenças é combater os mosquitos e não deixar água parada em lugares que podem se tornar criadouros desses insetos. Além disso, é importante usar corretamente o repelente antes de entrar nas matas.
08 de Fevereiro de 2017, 11:37

Professores recebem prêmio por projeto de combate a mosquito Aedes aegypti

Professores recebem prêmio por projeto de combate a mosquito Aedes aegypti Os casos de dengue e chikungunya e a incidência do zika vírus em Bayeux, na região metropolitana de João Pessoa, Paraíba, levaram a professora de química Paula Cristina de Andrade Rangel a desenvolver o projeto de um repelente caseiro. Paula, 35 anos, há dez é professora na Escola Técnica Estadual Erenice Cavalcanti Fidélis, em Bayeux, município de 96,5 mil habitantes, que tem 60% da área coberta por mangues e rios, propícios à proliferação de mosquitos como o Aedes aegypti. Nascida em Macaparana, Pernambuco, Paula começou a desenvolver o projeto do repelente em janeiro de 2016, com o crescimento do número de casos de dengue, chikungunya e do zika vírus, transmitidos pelo Aedes aegypti, em todo o país. “Havia um surto muito grande de zika, e víamos, na escola, que as pessoas estavam ficando doentes”, diz a professora. “Um aluno pegou a chikungunya e ficou com problema no coração, uma arritmia, como sequela.” Ao ver alunos e familiares afetados com doenças transmitidas pelo mosquito, Paula resolveu ir com os alunos para o laboratório e desenvolver o projeto. Antes de os estudantes começarem a usar a fórmula do repelente, a professora precisava testá-lo, para avaliar a eficiência, sem comprometer a segurança de todos. Para isso, precisava de um lugar em que os mosquitos proliferassem. Ela levou o produto até a casa de sua mãe, que mora perto de uma na praia, e o testou na própria família. “Usei o produto em mim, em minha irmã, minha sobrinha e meu enteado, de 4 anos”, explicou. “Não apareceu nenhum problema de pele, nenhuma alergia; realmente, ficávamos protegidos.” Produção — De acordo com a professora, é possível fazer o repelente com gasto inferior a R$ 7, por se tratar de produto sustentável, barato e eficaz. Geralmente, as pessoas têm em casa todos os ingredientes. O produto passa por processo de decantação, que dura quatro dias, e em seguida por uma filtragem até estar pronto para uso. “Usei cravo-da-índia, que tem cheiro forte, e álcool comum. Duas vezes ao dia, eu mexia o material para que fosse decantado o resíduo do cravo-da-índia. Depois de quatro dias, filtrei e adicionei óleo corporal”, explica. A questão da sustentabilidade e a economia na preparação do produto são destacadas pela professora. “O cravo-da-índia é barato, e o produto pode ser armazenado em recipientes de perfume guardados em casa antes de serem jogados no lixo”, afirma. “O álcool comum, de 46°C, também é barato, assim como o óleo a ser usado para tornar o cheiro mais agradável porque o do cravo é muito forte. Mas o repelente deve ter cheiro forte para que o mosquito não se aproxime.” Armadilha — O projeto contou com a participação do professor Jeimes Campos, que criou e construiu armadilhas para captura do mosquito. Segundo ele, uma forma de ajudar no combate ao Aedes aegypti é levá-lo a se reproduzir dentro das armadilhas para facilitar sua eliminação. Por meio da química e da física, os dois professores colocaram em prática, para aplicação no dia a dia, os conhecimentos que transmitiram em sala de aula aos estudantes. Com isso foram premiados na iniciativa Desafios da Educação ZikaZero, realizada em escolas de todo o país. Desenvolvida pelo Ministério da Educação, a iniciativa premia projetos educacionais voltados ao combate ao Aedes aegypti. Em 2016, foram registrados no Brasil quase 1,5 milhão de casos de dengue, 324 mil somente no Nordeste, segundo o Ministério da Saúde. Fonte: Ministério da Saúde
02 de Fevereiro de 2017, 11:42